Especialista da Globo explica TV Digital

Especialista da Globo explica TV Digital

Atualizado em 09/11/2005 às 13:11, por Thaís Naldoni e  da redação.

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O debate da TV Digital no Brasil está chegando a um ponto crucial, já que os pesquisadores brasileiros entregam, no próximo dia 10/12, o relatório final de anos pesquisas, que auxiliarão o presidente Lula na escolha do melhor modelo de TV Digital para o país.

Para sanar algumas dúvidas em torno desta nova tecnologia, IMPRENSA ouviu Fernando Bittencourt, diretor da Central Globo de Engenharia, que é coordenador do grupo técnico TV Digital da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). Acompanhe.

IMPRENSA - Quais as principais diferenças entre as TVs analógica e digital?
Bittencourt -
As principais vantagens da TV Digital em relação a analógica, são:

1- Um enorme aumento de qualidade de imagem e som com o HDTV( televisão em alta definição). As imagens no formato tela ampla e definição igual a cinema. Mais prazer e mais envolvimento com os programas.
2- A possibilidade de assistir TV com qualidade em carros, ônibus, metrôs, barcas etc., a possibilidade de acessar gratuitamente a programação das emissoras de Tv aberta através de aparelhos portáteis.
3- A Interatividade que possibilitará que o telespectador possa acessar através do seu televisor, conteúdo multimídia adicional aos programas de televisão.

IMPRENSA - O que diferencia a tecnologia japonesa da tecnologia européia?
Bittencourt -
A tecnologia japonesa é a única que foi desenvolvida, desde sua origem, com o objetivo de permitir que, através de um único canal de televisão, possamos transmitir programação em HDTV para ser recebida em casa, e simultaneamente distribuir uma programação para terminais portáteis.

IMPRENSA - Por que o modelo norte-americano foi descartado?
Bittencourt -
O sistema americano não permite a recepção móvel e a recepção portátil.

IMPRENSA - Por que as emissoras brasileiras preferem o modelo japonês?
Bittencourt -
Porque é a tecnologia que permite, com desempenho muito superior a tecnologia européia, a transmissão de HDTV e para recepções portáteis utilizando apenas um canal de TV.

IMPRENSA - O que as pesquisas desenvolvidas no Brasil buscam?
Bittencourt -
Os consórcios de Universidades Brasileiras que estão estudando o assunto, estão baseando a proposta do sistema brasileiro para que a TV Digital Brasileira possa também permitir, o HDTV, a TV móvel, a TV portátil e a interatividade, considerando nossa realidade sócio-econômica e a adoção de novas tecnologias que possam tornar o sistema brasileiro ainda mais atualizado que os demais. Afinal os sistemas de tv digital existentes (americano, europeu e Japonês) foram desenvolvidos há mais de 10 anos. Algumas de suas tecnologias já são obsoletas.

IMPRENSA - Para assistir sinais digitais em aparelhos analógicos, será necessário um conversor. Ele terá um preço acessível? Quando chegará às lojas?
Bittencourt -
Deveremos ter vários tipos de conversores, com diferentes especificações, mas acreditamos que possamos ter entre as opções algumas alternativas de modelos bastante acessíveis para a maioria da população brasileira.
Os primeiros receptores comerciais deverão estar disponíveis 18 meses após a decisão do sistema brasileiro.

IMPRENSA - As pessoas que não tiverem um conversor não conseguirão assistir TV?
Bittencourt -
As pessoas que não tiverem adquirido um receptor digital poderão continuar assistindo as transmissões analógicas nos mesmos canais atuais. É por esse motivo que as emissoras irão receber canais adicionais para a transmissão digital. Os canais analógicos permanecerão no ar até que toda a população tenha adquirido um receptor digital. Após esse período de transição, que acreditamos não será inferior a 10 anos, os canais analógicos hoje utilizados pelas emissoras de TV serão devolvidos para o governo.

IMPRENSA - Há várias pesquisas sobre TV Digital acontecendo no país. Já é possível prever qual será o modelo brasileiro?
Bittencourt -
Essa é uma decisão do governo brasileiro, mas acreditamos que a melhor alternativa seria seguir o modelo sugerido pelo consórcio de Universidades Brasileiras que estão estudando o assunto, cuja solução está baseada a tecnologia japonesa, mas é atualizada com novas tecnologias, hoje disponíveis, como o MPEG-4, e um sistema de middleware (sistema operacional do receptor) como o proposto pela Universidade Federal da Paraíba, que é compatível com soluções globais, mais incorpora melhorias específicas para a realidade brasileira.

IMPRENSA - Quais são, na sua opinião, as necessidades de transmissão da TV brasileira?
Bittencourt -
Hoje diversas mídias já são digitais, como cabo, satélite, celular, linhas telefônicas fixas e até o cinema. A única mídia que permanece analógica é a TV aberta, que por sinal é a única gratuita de todas elas. Dessa forma, acreditamos que é extremamente importante que o cronograma atualmente definido, que coloca como data para a decisão dezembro desse ano, seja cumprido.

IMPRENSA - O que muda, de fato, na rotina do telespectador com a tecnologia digital?
Bittencourt -
O prazer de assistir TV irá aumentar com o HDTV e o som multicanal surround, além disso a interatividade irá permitir que novos conteúdos sejam distribuídos permitindo ampliar os formatos de entretenimento, e por último, a TV está ainda mais disponível para a população, pois poderá ser acessada fora de casa, em ônibus, metrôs e em terminais pessoais como os celulares.

IMPRENSA - Qual é a previsão para que o novo padrão seja transmitido em escala comercial no Brasil?
Bittencourt -
O Governo Brasileiro está planejando ter uma definição até dezembro desse ano. Estamos trabalhando , as emissoras, a SET (sociedade de engenharia de televisão), o CPqD , o Ministério das Comunicações e o conjunto de Universidades para que isto aconteça .Desta maneira acreditamos que será possível realizar as primeiras demonstrações da TV Digital Brasileira ainda na Copa de 2006, ficando o início comercial para o final de 2007 talvez em São Paulo e migrando nos anos seguintes para as demais cidades brasileiras.