Especial: 07/04 -DIA DO JORNALISTA
Especial: 07/04 -DIA DO JORNALISTA
O Dia do Jornalista foi instituído pela Associação Brasileira de Imprensa. É comemorado no Brasil em homenagem a João Batista Líbero Badaró, médico e jornalista, que morreu assassinado por inimigos políticos, em São Paulo, em 22 de novembro de 1830. O movimento popular gerado por sua morte levou à abdicação de D. Pedro I, no dia 7 de abril de 1831. Um século depois, em 1931, em homenagem a esse acontecimento, o dia 7 de abril foi instituído como o "Dia do Jornalista".
Primeira porta. Jacob Gorender - jornalista e militante da esquerda brasileira - lembra que a porta do arquivo do jornal baiano O Imparcial foi o meio que encontrou para entrar no jornalismo. É de uma geração de profissionais de redação em um tempo em que jornalismo e opinião se misturavam. No caso de Gorender, as opiniões eram claras. Filho de pai judeu, imigrante e comunista, precisava se engajar nas tropas enviadas pelo Estado brasileiro contra os países do Eixo, que matavam milhares e milhares de judeus, comunistas e imigrantes. E foi assim que atravessou a porta e foi ao front.
Segunda porta. Quando tinha 19 anos, Ignácio de Loyola Brandão viu no jornalismo a porta que precisava para o passe-livre numa outra porta: a do cinema da pacata Araraquara. Escrevendo críticas, ganhava a permanente para ver os filmes que desejasse. 50 anos depois, afirma não ter visto tudo na vida, embora tenha visto tantos filmes quanto quisesse. Passou pelas portas das mais importantes redações brasileiras. Na década de 90, já um prestigiado escritor, resolveu voltar ao jornalismo na revista Vogue . Sempre a pé ou de ônibus, sabe que depois de cruzar a porta de sua casa, na rua, encontra os temas de suas crônicas no Estadão.
Terceira porta. Erika Palomino bateu à porta da Folha de S.Paulo com um currículo na mão. Aos 20 anos e mãe de dois filhos, esperava ocupar o cargo de "secretária gráfica" na Barão de Limeira. Não passou. Mas as portas da Folha continuaram abertas para a garota que, ao entrar no jornalismo, trocava a vida de dona-de-casa por a de uma das referências mais criativas do jornalismo da década de 90. Abriu a porta da pauta para temas de um universo que surgia naqueles tempos: a vida noturna, o movimento GLS, a música eletrônica e a moda. Saiu da Folha mas abriu as portas de seu próprio empreendimento, a House of Palomino.
Quarta porta. Catarina Hong tem apenas 20 e poucos anos. Filha de coreanos, assumiu o cargo de correspondente internacional da Rede Record em Tóquio. Aprendeu seu pouco japonês às pressas, como quem vai a uma guerra. A porta de entrada de Catarina no jornalismo foi a mais comum entre os focas recém-saídos das faculdades de comunicação: os cursos de treinamento das empresas jornalísticas, primeiro na Globo e depois como contratada pela Rede Record, para trabalhar como repórter no mais importante jornal da casa. Quando convidada a atuar como correspondente estrangeira, Catarina sabe que logo depois da porta a espera a mais longa e distante reportagem que sequer havia imaginado.
Quinta porta. Eles são diferentes entre si. Uns, idealistas e comprometidos com causas claras como Gorender. Outros, poéticos como Brandão. Alguns, modernos como Palomino. E, por fim, outros têm como desejo um lugar como o de Catarina Hong. São alunos do primeiro ano do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, uma das mais importantes de São Paulo e primeiro curso de formação de jornalistas no país. Divergem em muitos pontos, como era de se esperar, mas concordam em um: o jornalismo é a profissão que escolheram. São os futuros profissionais que vão cruzar as portas das redações deste século XXI.
Leia matéria completa na edição 211 (abril) de IMPRENSA





