Escritores se recusam a comparecer em evento de associação que premiará "Charlie Hebdo"

Para romancistas, houve "cegueira" da organização e "arrogância cultural" ao dar o prêmio à revista satírica

Atualizado em 28/04/2015 às 11:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Os escritores Peter Carey, Michael Ondaatje, Francine Prose, Teju Cole, Rachel Kushner e Taiye Selasi anunciaram que não comparecerão ao evento da associação literária americana PEN, em Nova York, em protesto contra a "cegueira" da entidade diante da "arrogância cultural" francesa ao dar o prêmio à revista satírica , informou o New York Times .
Crédito:Reprodução Escritores são contra premiação da "Charlie Hebdo" pela PEN
Para o australiano Peter Carey, a escolha da publicação rompe com o papel tradicional da PEN de proteger a liberdade de expressão contra a opressão governamental. "Foi cometido um crime atroz. Mas a PEN deve se ocupar deste tipo de liberdade de expressão?", disse o jornal ao mencionar um e-mail do romancista.
O prêmio será entregue ao membro da equipe da Charlie Hebdo , Jean-Baptiste Thoret. Ele chegou tarde à redação no dia do atentado, em 7 de janeiro deste ano. O ataque matou 12 pessoas, entre elas, cinco chargistas.
"Ao pagar o preço mais alto pelo exercício de sua liberdade, e depois suportando a devastadora perda, a Charlie Hebdo merece ser reconhecida por sua coragem ante um dos mais perniciosos ataques à expressão na memória recente", declarou recentemente a diretora-executiva do PEN, Suzanne Nossel, ao justificar a escolha.
Em resposta publicada em seu blog, a associação americana reforçou que lamentará "não ver aqueles que optaram por não comparecer à cerimônia e que respeita suas convicções".