Escritores Futebol Clube, por Rodrigo Viana

Participei, no final do último mês, de um evento no Rio de Janeiro, o “Brasil, Futebol e Livros”, em que uma verdadeira seleção de “escritor

Atualizado em 01/04/2014 às 13:04, por Rodrigo Viana.

Crédito:Leo Garbin es de futebol” discutiram com o público a criação literária sobre este esporte-paixão do país da Copa. Entre os 13 presentes estavam feras como a dupla João Máximo e Marcos de Castro, do fundamental “Gigantes do Futebol Brasileiro”.
Mas, quero falar aqui de um “escritor de futebol” especial que esteve lá: José Roberto Torero. Assinou por seis anos uma coluna sobre futebol na Folha de S. Paulo, roteirista consagrado pelo “Retrato Falado”, quadro apresentado dentro do “Fantástico”, da TV Globo (2000-2004). Tem uma escalação de onze livros publicados, ganhou dois prêmios Jabuti e ainda roteirizou um curta-metragem ludopédico indicado ao Oscar: “Uma História de Futebol”, em 2001.
A “rasgação de seda” ao amigo serve como preâmbulo para uma informação que ele deu durante sua exposição. Fora convidado para jogar este ano no Pindorama FC. O Pindorama é um time de futebol de escritores brasileiros criado por uma alemã: Stefanie Kastner, diretora do Instituto Goethe, de São Paulo (SP). Ela conheceu a iniciativa alemã, o Autonama, e decidiu repetir a boa ideia – justamente no ano passado, em que o Brasil foi o país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt –. O Pindorama foi recebido pelo Autonama durante a Feira de Frankfurt e tomou de 9 a 1.
“De repente estávamos todos ali. Homens feitos parecendo crianças. Entregues à ânsia que costuma tomar de assalto quem espera um jogo de bola começar“, disse Vladir Lemos, apresentador do emblemático “Cartão Verde” da TV Cultura e autor dos livros “Dois Poetas frente ao Espelho”, “A Magia da Camisa 10” (em parceria com André Ribeiro) e “O Dia em que me tornei Santista”.
Este ano, o Pindorama FC deve receber a seleção alemã durante a Copa. E os “escritores de futebol” também foram convidados para participar da Feira do Livro de Gotemburgo. Imagine caro leitor, um Brasil x Suécia ao pé da letra! Mas, diferentemente da Alemanha, onde o time de escritores é mantido com o apoio da Federação Alemã de Futebol, aqui a CBF nem dá bola para literatura.
Vale lembrar que Chico Buarque, ele mesmo, é também apaixonado por futebol e, além de ter composto músicas como “O Futebol” e “O Juiz Apitou”, tem um time de futebol chamado Politeama (Politheama vem do grego Poli = muitos, theama = espetáculos, ou seja, “muitos espetáculos”) time este que já fez quase 3 mil partidas oficiais nos últimos 30 anos.
Nessa relação metonímica, em que o texto explica o contexto, literatura e futebol se unem ao pé da letra. Fica a dica para CBF, Governo e até para nós mesmos, seres midiáticos, entrarmos em campo com esse pessoal.