Escritores defendem excelência do texto em trabalhos jornalísticos e literários
Escritores defendem excelência do texto em trabalhos jornalísticos e literários
"A palavra não foi feita para enfeitar, foi feita para dizer". Foi parafraseando Graciliano Ramos que alguns profissionais da comunicação presentes no segundo dia do 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor passaram seu recado: escrever, independentemente da plataforma, requer excelência de texto, o que pode ser conseguido pela simplicidade.
Realizado em São Paulo desde a última quinta-feira (15), o Salão reúne autores, jornalistas, estudantes e interessados em bate-papos, entrevistas, debates, palestras, exposições, lançamentos de livros e atrações infanto-juvenis.
Na última sexta-feira (16), o evento teve início com um encontro entre o público e o jornalista Cícero Sandroni, que contou um pouco de sua experiência como escritor-autor e respondeu perguntas da platéia.
O próximo a subir no palco foi Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, mais conhecido como Jaguar. Com sua irreverência peculiar, o cartunista tirou risos da platéia ao dizer que tinha medo de dormir no meio da entrevista porque a poltrona estava confortável e atender o celular no meio da sabatina. "O que estou fazendo aqui? Não sou jornalista nem escritor", perguntou Jaguar, famoso por seu trabalho no Pasquim e como editor do jornal A Notícia .
A parte da tarde do segundo dia do Salão também contou com a palestra "Biografias, jornalismo e literatura" e com a sabatina do autor Carlos Heitor Cony. Com 60 anos de profissão - ele começou no Jornal do Brasil em 1947 -, Cony falou da influência de outros autores em sua obra, do processo de criação dos livros, de sua relação com os militares durante a Ditadura e da motivação para escrever.
"Minha teoria é que homem feliz não escreve nada. A arte, e na qual encaixo a literatura, é fruto de um estado de não felicidade. Um homem feliz não escreve a Nona Sinfonia. A fossa é ótima para se produzir. Mas o segredo é: estar na fossa e não escrever sobre ela", ensinou Cony.
O encontro da última sexta-feira (16) terminou com a palestra "Ficção e realidade - interdependência criativa: de Machado a Graciliano", da qual participaram, José Nêumanne Pinto, Fernando Portela e Audálio Dantas. Vera Rotta foi a mediadora.
Nêumanne falou do embate entre mentira e verdade no texto literário e dos autores que contribuíram para a consolidação da literatura no século XX e XXI. "Não há mentira ou verdade que não se sobreponha à excelência do texto. O que é colocado em jogo é a questão da sedução do texto. Seduza, atraia, tenha um texto claro e simples. Faça com que o leitor sinta prazer e perceba o que você tem a dizer", ensinou.
Para Audálio Dantas, que destacou o trabalho de Joel Silveira como jornalista narrativo, o texto jornalístico pode, sim, ser literário. "Ninguém pode proibir que o texto seja bem escrito. O leitor merece um texto claro e de qualidade", disse.
Realizado como parte das comemorações dos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o 1º Salão Nacional do Jornalista Escritor ocorre sempre no Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Para os que perderam os dois primeiros dias do encontro, ainda há tempo: as atividades serão realizadas durante este sábado (17) e no domingo (18). Hoje, participam do Salão os autores Zuenir Ventura, Mauro Santayana, Eric Nepomuceno, Ziraldo, Ignáco de Loyola Brandão, entre outros. Amanhã, é a vez de Juca Kfouri, Caco Barcellos, Moacyr Scliar e Florestan Fernandes Jr. subirem ao palco. A entrada para todas as atividades é franca, basta chegar um pouco antes e retirar a senha.
Para conferir a programação completa do evento, .






