Escritores alemães assinam carta para denunciar ‘sequestro’ de editoras pela Amazon

Mais de mil escritores alemães condenam as formas de negociação da e-commerce de livros. Em carta, dizem se sentir sequestrados pela Amazon.

Atualizado em 18/08/2014 às 15:08, por Redação Portal IMPRENSA.

A forma como a Amazon negocia com as editoras foi motivo de protesto mais uma vez na Alemanha. Mais de mil escritores alemães ou que escrevem na língua germânica assinaram uma que denuncia os métodos utilizados pela e-commerce de livros com a escandinava Bonnier, que detém parte do mercado na região. No documento, os autores dizem se sentir “sequestrados” pela empresa.
Crédito:Divulgação Escritores sentem-se sequestrados por métodos de venda da Amazon
Segundo a AFP, uma ação semelhante foi feita por 900 escritores que pediram à Amazon o fim das pressões sobre a filial norte-americana da editora francesa Hachette. "Nos últimos meses, os autores da Bonnier foram boicotados e seus livros não aparecem nos estoques", afirma a carta assinada, entre outros, pela austríaca Elfriede Jelinek, Prêmio Nobel de Literatura em 2004.
Na carta, eles afirmam que “os livros são distribuídos de forma mais lenta, a disponibilidade é objeto de falsas declarações e os autores não aparecem nas listas dos autores recomendados”. "A Amazon não tem o direito de 'sequestrar' um grupo de autores que não faz parte do conflito", destacam os signatários. A disputa entre a Amazon e Bonnier pode ser motivada por condições comerciais.
O grupo escandinavo Bonnier atua na Alemanha com marcas editoriais como a Ullstein, Carlsen e Piper. Ao final do documento, os escritores convidam seus leitores a “apresentar sua opinião sobre as formas de pressão recentemente utilizadas" ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, e ao diretor da Amazon na Alemanha, Ralf Kleber.

No fim de junho, a associação de livrarias da Alemanha uma ação no conselho de concorrência do país contra a Amazon acusando a empresa de praticar “chantagem” no mercado.