Escritores afirmam ter sofrido censura em projeto de homenagem ao Rio de Janeiro

Os responsáveis pelo site, por sua vez, alegam que os contos de Fernando Molica e Marcelo Moutinho passaram por um “processo de edição”.

Atualizado em 15/12/2014 às 18:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Os responsáveis pelo projeto “Rio: Passagens” foram acusados de promover censura em contos de dois autores convidados à iniciativa. O , lançado nesta segunda-feira (15/12), teria impedido a publicação na integra de conteúdos do jornalista Fernando Molica e do escritor Marcelo Moutinho.
Crédito:Reprodução A homenagem virtual faz parte das comemorações do 450 anos da cidade Segundo o Globo , os autores contam que a produtora Arrastão de Ideias cortou trechos dos contos enviados por eles após uma solicitação da curadoria da nova página. Além disso, as alterações teriam sido feitas sem o consentimento de ambos, motivando a saída da iniciativa.
"Entreguei a versão definitiva de ' ' há 4 meses (...) Não fui procurado para tratar de eventuais modificações ou adaptações. (...) Ontem, contei 36 alterações: foram cortadas diversas palavras ou expressões; sete frases inteiras e trechos importantes de outras oito", contou Molica, em no Facebook. Ele alega não ter sido avisado que o projeto era voltado para a formação de leitores, mas que aceitaria a supressão de palavrões em seu conto modificado pelos produtores.
Segundo ele, uma foi suprimida de seu texto original. "O que ocorreu, viria a atestar, foi simplesmente a mutilação do texto, sem que eu tivesse conhecimento. (...) Ante minha pronta reclamação sobre a sentença cortada, os organizadores ponderaram que havia, nela, um palavrão, e o site precisava ter censura livre”, disse.

Em sua resposta, o autor afirma ter dito que entendia a justificativa, mas ressaltou o "absurdo de se mexer no conto de um autor e lançar uma versão final sem que este seja consultado". "Inclusive porque o texto fora entregue em 22 de agosto - portanto, há quase 4 meses - e houve tempo suficiente para tal", conta.
Tréplica de Moutinho e imbróglio
Ao ouvir as alegações de Jatobá, o escritor Marcelo Moutinho afirma que ele está mentindo e que a história tem uma conclusão diferente daquela relatada pelo novo desafeto. “Ele fala que entreguei um conto perfeito, sobre prostituição na Lapa, que não seria um assunto adequado. Isso não aconteceu. Eu falei a ele que queria escrever sobre isso e ele disse que não era legal”, diz.
“Entreguei um conto totalmente diferente, sobre um casal que se apaixona num ônibus, não fala nada de prostituição”, diz ele, que afirma ter as provas sobre esta versão. “Em nenhum momento ele disse que o conto seria censurado (...). Ele está tentando justificar o injustificável. Há outros autores que estão tendo seus contos reescritos, mas que estão preferindo não falar”, declarou.
Ainda sobre o imbróglio, Jatobá diz que todos participantes do projeto serão pagos, diferentemente do que falou Molica. Mesmos os que não tiveram os seus contos publicados receberão. Ele alegou, ainda, que a opção dada pelos escritores, de utilizar os textos originais ou com menos alterações, não seria possível por questões técnicas, como a retradução e regravação dos contos.
“Não teríamos tempo e verba para isso", falou. Patrocinador da iniciativa, o secretário municipal de cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que iria se inteirar sobre o assunto. “Vou pedir uma explicação aos responsáveis. Mas desde já me posiciono contra qualquer tipo de censura ou de mutilação e intervenção sobre obras de arte”, falou o servidor, reafirmando que a Prefeitura não atuou no caso.
A produtora independente Arrastão de Ideias captou R$ 149 mil junto à Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, e conseguiu reunir nomes como José Eduardo Agualusa, Nei Lopes, Paulo Scott, Silviano Santiago, Alice Sant’Anna e Armando Freitas Filho em torno do projeto.