Escritor tcheco exige pedido de desculpas de revista por ser acusado de delação
Escritor tcheco exige pedido de desculpas de revista por ser acusado de delação
Autor do romance "A Insustentável Leveza do Ser", o escritor tcheco Milan Kundera exigiu nesta quinta-feira (23) que a revista Respekt peça desculpas publicamente por acusá-lo de colaborar com a polícia comunista da Tchecoslováquia em 1950, levando à condenação de um dissidente.
Kundera, na época com 21 anos, denunciou um encontro de um piloto chamado Miroslav Dvoracek, que havia desertado do serviço militar e entrado ilegalmente na Alemanha. Detido, ele foi preso e enviado a trabalhos forçados em uma mina de urânio. Segundo a revista, o escritor não conhecia pessoalmente o denunciado, mas ouviu falar do encontro. As informações seriam provenientes de arquivos do Ministério do Interior da Tchecoslováquia.
Jiri Srstka, diretor da agência literária Dilia - que representa o escritor - afirmou que "Milan Kundera solicita uma desculpa ao dono da Respekt . Caso não seja atendido, entrará na Justiça para defender seus direitos".
Segundo a agência de notícias Efe, a publicação responsável pela reportagem "A delação de Kundera" - escrita pelos jornalistas Adam Hradilek e Petr Tresnak - disse que a exigência não tem nenhuma base. "O pedido de desculpas de Kundera não tem base. Acho, certamente, que não há lugar para isso", declarou Milan Simecka, redator-chefe da revista.
Intelectuais e políticos tchecos se manifestaram em relação à denúncia. O escritor e ex-presidente Vaclav Havel e a Academia de Ciências tcheca pediram prudência na publicação das informações, para não perder o contexto da época.
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