Escritor tcheco é acusado de colaborar com polícia comunista

Escritor tcheco é acusado de colaborar com polícia comunista

Atualizado em 13/10/2008 às 15:10, por Redação Portal IMPRENSA.

O escritor tcheco Milan Kundera, autor do romance "A Insustentável Leveza do Ser", foi acusado nesta segunda-feira (13) de colaborar com a polícia comunista da Tchecoslováquia em 1950. As declarações dadas por ele foram responsáveis pela condenação de um homem a 22 anos de prisão.

Kundera, na época com 21 anos, denunciou um encontro de um piloto chamado Miroslav Dvoracek, que havia desertado do serviço militar e entrado ilegalmente na Alemanha. Detido, ele foi preso e enviado a trabalhos forçados em uma mina de urânio. Segundo a pesquisa de Adam Hradilek, autor do artigo, o escritor não conhecia pessoalmente o denunciado, mas ouviu falar do encontro.

Segundo a revista Respekt , o informe número 624/1950, retirado dos arquivos do Ministério do Interior, informava que "hoje, às 16h, um estudante, Milan Kundera, nascido em 1º de abril de 1929 em Brno se apresentou a este departamento para informar (que uma estudante deveria se reunir ao anoitecer com um tal de Miroslav Dvoracek). Este, ao que parece, desertou do serviço militar e esteve na primavera do ano passado na Alemanha, onde entrou ilegalmente".

Libertado em 1963 - quando Kundera publicou "O Livro do Riso e do Esquecimento" - Dvoracek abandonou seu país e mudou-se para a Suécia, informou a agência AFP. Segundo Marketa Dvoracek Novak, esposa do condenado, afirmou que para seu marido, hoje com 80 anos, não importa saber quem o denunciou.

"Ele sabe que foi denunciado, mas conhecer quem o fez não muda nada para ele", declarou Marketa. "Não estamos surpreso do envolvimento de Kundera. Entre os famosos da época, muitos eram fanáticos do regime comunista nos anos 50. Ele é um bom escritor, mas não tenho nenhuma ilusão a respeito dele como ser humano", disse.

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