Escritor americano comenta mudanças no mercado de guias de viagem
Na última quinta-feira (16/8), o escritor americano Thomas Kohnstamm, autor do livro "Autores de guias de viagem vão para o inferno?
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Crédito: Editora Panda Books
O escritor acredita que houve pequenas mudanças na postura e na política das editoras em relação aos seus autores. "Eles [Lonely Planet] tem uma nota dentro do livro dizendo que 'nossos autores visitam todos os lugares e não podem aceitar nada gratuito..', mas isso sempre foi uma mentira. Eles mudaram as palavras um pouco...". "Alguns escritores me dizem que melhorou um pouco, mas ainda é difícil ganhar bem", completa.
Kohnstamm não acredita que as mudanças foram em função do seu livro, "mas por todo o debate gerado nos blogs e jornais que os fizeram tratar um pouco melhor seus escritores", explica.
Mestre em Estudos Latino-Americanos pela Universidade de Stanford, onde estudou Língua Portuguesa e culturas latinas, já escreveu para a Lonely Planet, Travel+Leisure , Forbes , San Francisco Chronicle , Los Angeles Times , Denver Post , Miami Herald e outras publicações. Apesar da vasta experiência, revela que nunca se deu bem em outros trabalhos. "A única coisa que sempre gostei foi escrever", afirma.
Como ele mesmo diz, "vender um livro não é uma carreira." "A indústria de livros está mudando muito. Não posso me imaginar fazendo outra coisa, mas você tem que ser meio doido para ser escritor hoje em dia", diz.
Atualmente, dono de sua companhia, Kohnstamm e mais dois escritores fazem perfis de pessoas que desenvolvem trabalhos diferentes usando tecnologia. Seus textos vão para blogs da Microsoft e Skype, por exemplo, mas não se considera jornalista. "O que faço é comercial, para vender um produto. Isso não é jornalismo puro", diz.
Escrever para a Lonely Planet
O americano estava cansado do trabalho burocrático em Wall Street e da namorada quando recebeu o convite da Lonely Planet para atualizar a edição do guia de viagem Brasil. Jogou tudo para o alto e fez a viagem.
Apesar de conhecer a cultura latino-americana, ser fluente em português e espanhol, além de autor de livros de turismo, só percebeu o tamanho da encrenca quando chegou ao país e descobriu a roubada que era escrever guias de viagem.
Com apenas sete semanas para visitar centenas de lugares entre Pernambuco e Maranhão, pagamentos escassos, e quase nenhum feedback da editora, Kohnstamm usou técnicas "nada ortodoxas" para avaliar restaurantes, hotéis e passeios a tempo - e sobreviver no país. Ele descreve tudo isso no livro, conta outras aventuras e fala dos amigos que fez durante a viagem.
Reação
A Lonely Planet ameaçou processá-lo, mas não o fez. "Não havia motivo, porque escrevi sobre a verdade", diz. Segundo ele, os autores reagiram de modos diferentes. "Os mais velhos me agradeceram porque queriam dizer tudo aquilo faz tempo. Os mais novos não gostaram muito de eu acabar com seus sonhos", explica. Editores de revista gostaram do livro "sincero" e o convidaram para escrever em suas publicações.
Planos
Mesmo com seu próprio negócio, ele diz que nunca pensou escrever sobre tecnologia, mas paga bem e dá "espaço para outros projetos", como os roteiros que vem desenvolvendo, além de proporcionar segurança à sua família. Hoje casado (com uma carioca), com um filho, e morando em Seattle, nos EUA, Kohnstamm já não viaja com tanta frequência, mas tem um roteiro bem definido: voltar a escrever.






