Escolas abertas nos fins de semana em São Paulo / Por Paula Pardini - Universidade Nove de Julho

Escolas abertas nos fins de semana em São Paulo / Por Paula Pardini - Universidade Nove de Julho

Atualizado em 30/05/2005 às 13:05, por Paula Pardini Sant Ana - Universidade Nove de Julho.

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A partir de uma iniciativa do governo do Estado de São Paulo, foi criado em agosto de 2003, o programa escola da família, onde cerca de 6 mil escolas da rede estadual permanecem abertas aos fins de semana, apresentando atividades voltadas as áreas esportiva, cultural, de saúde e para qualificação profissional para os 7 mil jovens que moram no Estado.

O programa conta com 6 mil profissionais da educação, 25 mil universitários e milhares de voluntários. E tem beneficiado tanto a comunidade quanto os estudantes universitários, que recebem para uma bolsa de 100% do valor da faculdade, sendo coberta metade pelo Estado e o restante pela universidade, para trabalhos prestados cumprindo uma carga horária de 16 horas por semana. Um dos critérios exigidos na seleção do candidato é que seja ex-aluno da rede estadual, o que valoriza os universitários de baixa renda.

Nas comunidades atendidas, constata-se a diminuição dos índices de violência e o aprofundamento familiar que muitas vezes graças as tarefas de casa, não é possível, e na escola, a partir de uma brincadeira, ou atividade de diversos gêneros fica muito mais fácil. Além dos projetos já realizados e com bom índice de alcance na sociedade como o de prevenção a gravidez na adolescência, campeonatos esportivos e festivais de música e cinema.

Segundo Fernando Fiore Pereira, 18 anos e ex-aluno da escola Nossa Senhora da Penha e freqüentador dela nos finais de semana " é a melhor aportunidade de estar com meu pai e irmãos".

Até mesmo os 13 internos da Febem tiveram a oportunidade de prestar vestibular e passaram e poderão cursar o ensino superior com o auxilio da bolsa do projeto, o que proporciona a recuperação da auto-estima e da educação destes jovens, que dificilmente teriam a possibilidade de pagar.

Apesar da importância deste projeto na cidade de São Paulo, ainda há uma deficiência na divulgação do programa para a comunidade, o que muitas vezes dificulta o trabalho dos bolsistas e educadores, como é o caso da escola Nossa Senhora da Penha, localizada no bairro da Penha, zona leste da capital, onde segundo a educadora profissional, Letícia Fiori Ramos, 23 anos, que integra o programa desde o ano passado "uma melhor divulgação do governo e dos responsáveis alavancaria a idéia, e propagaria as atividades realizadas nas escolas".

Nesta escola que conta com 7 universitários e 1 educadora profissional, são realizadas atividades como capoeira, aulas de axé, inglês para crianças, campeonatos de cartas e ficam a disposição da comunidade jogos lúdicos e o espaço para a prática de skate, bicicleta entre outros, contudo a simples colocação de cartazes dentro da escola não garantem um grande público, mas tão somente dos alunos da mesma.

Outro grande problema, segundo a universitária bolsista, Íris Junqueira Pires, 19 anos, que participa do programa desde fevereiro é a falta de preparação dos universitários, "Caímos nas escolas de pára-quedas, sem saber o que vamos fazer, ou como fazer, acho que antes de entrarmos deveria ter uma palestra, e só classificar quem já tivesse um projeto".

Entre uma dificuldade e outra o programa escola da família é uma ótima iniciativa, que possibilita o estudo para pessoas que provavelmente não teriam condições e garante um futuro melhor, é um marco na área de educação do Estado, que está mudando a vida de muita gente.

Para se candidatar a uma das bolsas é necessário:

- Ter concluído o Ensino Médio na rede estadual paulista (em que o aluno deve ter estudado no mínimo os três anos);
- Estar regularmente matriculado em curso de graduação de Instituição Privada de Ensino Superior (conveniada com o Programa);
- Não estar recebendo outro benefício para custeio da mensalidade do curso superior;
- Ter interesse e disponibilidade para participar de atividades do Programa.

Mais informações sobre o Programa também podem ser obtidas pela Central de Atendimento da Secretaria de Educação, pelo número 0800-7700012.