Erdogan é acusado de prender jornalistas que criticam resposta do governo turco ao terremoto
A Federação Europeia de Jornalistas (EFJ, na sigla em inglês) divulgou nota informando que uma entidade parceira - a Media Freedom Rapid Response (MFRR) - recebeu vários relatos de violações à liberdade de imprensa em regiões afetadas pelo terremoto que atingiu a Turquia e a Síria no dia 6 de fevereiro e deixou milhares de mortos.
Atualizado em 09/02/2023 às 17:02, por
Redação Portal IMPRENSA.
De acordo com o comunicado, as violações estão sendo cometidas pelo governo do presidente turco Recep Tayyip Erdogan e incluem detenções de jornalistas e trabalhadores da imprensa, investigações de repórteres e colunistas por incitação ao ódio, limitações de acesso às áreas afetadas e até limitação de largura de banda para usuários do Twitter. Crédito: Reprodução EFJ/OZAN KOSE / AFP Ainda de acordo com a EFJ, em 7 de fevereiro, a Diretoria de Comunicações do governo turco lançou um serviço de denúncia de desinformação, incentivando os cidadãos a denunciar postagens em redes sociais e contas que compartilham reportagens consideradas peças de desinformação.
A entidade acrescentou que, ao declarar Estado de Emergência por três meses nas dez províncias afetadas, o presidente Erdogan disse que o governo turco está "monitorando de perto aqueles que estão tentando polarizar a nação por meio de notícias falsas". Ele também teria afirmado que os promotores do país "farão o que for necessário contra aqueles que pretendem incitar o caos social por meio de desinformação e notícias falsas”.
Prisões de jornalistas
Pelo menos dois jornalistas foram presos após o terremoto e o endurecimento das diretrizes do governo turco sobre a circulação de notícias supostamente falsas. Do site de notícias Evrensel, Volkan Pekal foi detido enquanto tirava fotos em uma área atingida. Já o comentarista político Özgün Emre Koç teria sido preso por críticas nas redes sociais às falhas nos regulamentos sobre terremotos do governo turco.
Investigações criminais também teriam sido iniciadas contra os jornalistas Merdan Yanardag e Enver Aysever, especificamente por críticas feitas aos cânticos islâmicos entoados nos locais dos desastres, quando as equipes de busca exigiam silêncio. Yanardag também teria sido alvo de uma onda de ataques virtuais por parte de contas pró-governo.
Muitos jornalistas também reclamaram de terem sido impedidos de cobrir a tragédia na região de Diyarbakir, uma das mais atingidas.
Aliás, dois repórteres da Agência de Notícias da Mesopotâmia chegaram a ser detidos em Diyarbakir. Um por ter assinado uma matéria em que seu entrevistado criticou o trabalho de resgate às vítimas do terremoto. Outro por não apresentar cartões de imprensa emitidos pelo governo, conforme as regras do Estado de Emergência.
Outros jornalistas de Diyarbakir relataram que foram impedidos de trabalhar por não possuírem as credenciais de imprensa exigidas pela política emergencial. Após muitas reclamações, nesta quinta-feira (9 fev/23) os jornalistas teriam conquistado a permissão de trabalhar usando suas credenciais habituais.
Já os problemas de acesso limitado ao Twitter teriam ocorrido em diferentes partes da Turquia na quarta-feira (8 fev/23) e durado pelo menos seis horas. A EFJ lamentou as dificuldades de acesso à plataforma e lembrou que esse tipo de rede social é fundamental para agilizar a comunicação em situações de desastre.





