Equipe de TV pública do TO é detida após desentendimento com delegada

Na tarde da última terça-feira (14/1), uma equipe de reportagem foi detida depois de uma confusão na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Araguaína, no norte do Tocantins (TO).

Atualizado em 16/01/2014 às 13:01, por Redação Portal IMPRENSA.

A repórter Leidy Vieira e o cinegrafista que a acompanhava, ambos da TVE, emissora pública do Estado, foram detidos após se desentenderem com a delegada Maria Dinesitânia Cunha.

Crédito:Arquivo pessoal Repórter foi detida após desentendimento com delegada
Segundo o G1, agentes da Polícia Civil de Colinas do Tocantins viajaram ao município para buscar uma caminhonete que foi apreendida em uma operação contra o tráfico de drogas. O veículo seria usado no combate ao crime. Após receberem as denúncias, as equipes de reportagem foram à Deic para apurar os fatos.

Ao chegar, eles ouviram os agentes de Colinas do Tocantins e foram conversar com a delegada. "Eu perguntei o que havia acontecido, por que ela havia expulsado os policiais? Ela já estava agressiva quando nos recebeu na delegacia", relatou a jornalista.

Leidy explicou que quando conversava com o chefe pelo telefone, um dos agentes a pegou pelo braço. Sem entender, pediu que o homem aguardasse um minuto. "Ele me levou de volta para a delegacia e tive que assinar um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) por desobediência e falta de documentos de identificação. Mas em nenhum momento a delegado pediu por essa identificação", alegou.

A repórter relatou que eles ficaram presos por cerca de quatro horas e só foram liberados após assinarem o documento. Além disso, foram impedidos de atender os celulares da empresa e os pessoais.

A delegada argumentou que a jornalista não se identificou e já foi fazendo perguntas. Ela disse que recebeu a decisão judicial, mas que o documento estava endereçado para a delegacia regional. O marido da delegada, que atua na mesma delegacia, disse que a mulher sofre de porfiria, doença que interfere nas funções nervosas.

Na última quarta-feira (15/1), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins repudiou a posição da delegada. "O comportamento da delegada mostra o seu despreparo para o cargo, visto que, deliberadamente, fere os princípios básicos da democracia e da liberdade de imprensa, direito sagrado na Constituição Brasileira".