Enviado da ONU defende regulamentação econômica da mídia no Brasil

Segundo David Kaye, regulamentação econômica pode promover "multiplicidade de vozes", mas ainda é cedo para falar em censura.

Atualizado em 01/12/2014 às 16:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Desde agosto no Brasil como enviado especial para liberdade de expressão da organização das Nações Unidas (ONU), o advogado David Kaye defende a regulamentação econômica da mídia no país. Segundo ele, a medida pode garantir "multiplicidade de vozes" no espaço público.
Crédito:ONU David Kaye acredita que regulação econômica da mídia seja uma boa alternativa no Brasil
Em entrevista à BBC Brasil, Kaye falou sobre a proposta do governo federal referente ao tema. "É difícil falar de uma proposta sem algo concreto. A presidente falou de forma geral da necessidade de regulamentação sob o argumento de que é preciso evitar a concentração de empresas de mídia nas mãos de poucos. A ideia é justa. Se você quer implementar uma regulamentação, ela deve favorecer a competição entre as empresas para que haja uma constante competição por leitores", declarou.
Para o advogado, porém, é preciso ser cauteloso com qualquer proposta de regulamentação da imprensa, seja no âmbito econômico ou editorial. "Temos de ter em mente que o Brasil tem uma história de controle da mídia estatal ou privada, assim como muitos países da América Latina, que basicamente leva a uma censura direta ou prévia, não permitindo que certos assuntos sejam publicados ou punindo os veículos de comunicação depois da publicação."