Entrevista do casal Nardoni ao "Fantástico" não teve acordo, diz jornalista

Entrevista do casal Nardoni ao "Fantástico" não teve acordo, diz jornalista

Atualizado em 23/04/2008 às 15:04, por Redação Portal IMPRENSA.

Depois de conseguir um pico de 42 pontos no Ibope ao exibir uma entrevista exclusiva com o casal Nardoni, acusado de matar a menina Isabella, no último dia 29 de março, o jornalista Valmir Salaro afirmou que não fez nenhum acordo para conseguir que os dois falassem exclusivamente com a Rede Globo, e que também não houve nenhuma exigência sobre o teor das perguntas.

A entrevista foi exibida no último domingo (20), no "Fantástico", e rendeu boa audiência para diversos programas da emissora carioca, como o Jornal Nacional da última segunda-feira (21), que obteve 40 pontos no Ibope. A média do "Fantástico", de 33 pontos, foi a melhor atingida desde abril de 2007.

No entanto, o sucesso e a exclusividade da entrevista levantaram pontos polêmicos durante a semana. O jornalista Brito Jr., apresentador da Rede Record, acusou Valmir Salaro de ter "combinado" a entrevista com os advogados do casal. "Se você pegar a entrevista na íntegra, verá que eu faço todas as perguntas que qualquer um gostaria de fazer. Eles negam tudo", justifica-se Salaro. "Eu não sou um repórter justiceiro, não pratico esse jornalismo justiceiro que se faz em algumas emissoras. Se aquelas pessoas cometeram algum crime, não sou eu quem vou julgar", completou o repórter da Globo.

De acordo com a coluna de Daniel Castro, do jornal Folha de S.Paulo , a emissora carioca vinha tentando entrevistar o casal desde a primeira semana do caso Isabella, no final de março e houve tentativas até mesmo enquanto os dois estavam na cadeia.

Salaro disse à coluna de Castro que, no domingo à tarde, o pai de Alexandre, Antonio Nardoni, o chamou "para conversar". Inicialmente, o casal ia gravar um depoimento. "Eu propus uma entrevista, mas os advogados foram contra. A gente conversou. Argumentei que era importante dar voz ao casal", conta Salaro, que nesta cobertura diz ter adotado uma postura de ceticismo em relação à polícia, inspirado no caso Escola Base - em que acusações inverídicas, embarcadas pela mídia, contra quatro sócios da instituição e um casal de pais de alunos, acabaram com a reputação dos proprietários e ex-funcionários da escola.

O repórter afirma que começou a gravar o depoimento e foi "perguntando e eles, respondendo. Virou uma entrevista de risco". Isso justificaria o tom das perguntas, o áudio baixo nas intervenções do jornalista e a gravação com apenas uma câmera fixa em tripé.

A única exigência do casal à Globo teria sido o fornecimento de uma cópia em DVD, sem as perguntas de Salaro, finaliza o colunista.

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