Entrevista do casal Nardoni ao "Fantástico" não teve acordo, diz jornalista
Entrevista do casal Nardoni ao "Fantástico" não teve acordo, diz jornalista
Depois de conseguir um pico de 42 pontos no Ibope ao exibir uma entrevista exclusiva com o casal Nardoni, acusado de matar a menina Isabella, no último dia 29 de março, o jornalista Valmir Salaro afirmou que não fez nenhum acordo para conseguir que os dois falassem exclusivamente com a Rede Globo, e que também não houve nenhuma exigência sobre o teor das perguntas.
A entrevista foi exibida no último domingo (20), no "Fantástico", e rendeu boa audiência para diversos programas da emissora carioca, como o Jornal Nacional da última segunda-feira (21), que obteve 40 pontos no Ibope. A média do "Fantástico", de 33 pontos, foi a melhor atingida desde abril de 2007.
No entanto, o sucesso e a exclusividade da entrevista levantaram pontos polêmicos durante a semana. O jornalista Brito Jr., apresentador da Rede Record, acusou Valmir Salaro de ter "combinado" a entrevista com os advogados do casal. "Se você pegar a entrevista na íntegra, verá que eu faço todas as perguntas que qualquer um gostaria de fazer. Eles negam tudo", justifica-se Salaro. "Eu não sou um repórter justiceiro, não pratico esse jornalismo justiceiro que se faz em algumas emissoras. Se aquelas pessoas cometeram algum crime, não sou eu quem vou julgar", completou o repórter da Globo.
De acordo com a coluna de Daniel Castro, do jornal Folha de S.Paulo , a emissora carioca vinha tentando entrevistar o casal desde a primeira semana do caso Isabella, no final de março e houve tentativas até mesmo enquanto os dois estavam na cadeia.
Salaro disse à coluna de Castro que, no domingo à tarde, o pai de Alexandre, Antonio Nardoni, o chamou "para conversar". Inicialmente, o casal ia gravar um depoimento. "Eu propus uma entrevista, mas os advogados foram contra. A gente conversou. Argumentei que era importante dar voz ao casal", conta Salaro, que nesta cobertura diz ter adotado uma postura de ceticismo em relação à polícia, inspirado no caso Escola Base - em que acusações inverídicas, embarcadas pela mídia, contra quatro sócios da instituição e um casal de pais de alunos, acabaram com a reputação dos proprietários e ex-funcionários da escola.
O repórter afirma que começou a gravar o depoimento e foi "perguntando e eles, respondendo. Virou uma entrevista de risco". Isso justificaria o tom das perguntas, o áudio baixo nas intervenções do jornalista e a gravação com apenas uma câmera fixa em tripé.
A única exigência do casal à Globo teria sido o fornecimento de uma cópia em DVD, sem as perguntas de Salaro, finaliza o colunista.
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