Entrevista com Carlos Abranches, âncora do Jornal Vanguarda - TV Globo no Vale do Paraíba

Entrevista com Carlos Abranches, âncora do Jornal Vanguarda - TV Globo no Vale do Paraíba

Atualizado em 28/10/2004 às 10:10, por Redação Portal Imprensa.

Por Jorge Fernandes, colaborador no Vale do Paraíba/SP

Ele começou como repórter, foi promovido a apresentador. Até que, finalmente, foi alçado ao posto de âncora. Há 10 anos, o jornalista Carlos Abranches, da Rede Vanguarda, comanda o principal telejornal da região do Vale do Paraíba, interior de São Paulo, líder absoluto entre os concorrentes com audiências que ultrapassam 50%, o que representa 2 milhões de telespectadores. Na Vanguarda, Abranches tem total liberdade para opinar e criticar, papel essencial na vida de um âncora.

Em entrevista para PORTAL IMPRENSA, Carlos Abranches esmiúça a produção do principal telejornal do Vale do Paraíba/SP, fala sobre a relação mídia / poder e afirma ainda que, para os talentosos, sempre haverá espaço. Confira os melhores momentos:

PORTAL IMPRENSA:O jornalismo praticado na Rede Vanguarda está no mesmo nível daqueles produzidos na chamada "grande imprensa"?

Abranches: [O jornal da Vanguarda] Está no mesmo nível. Mas, muitas vezes, supera o de grandes emissoras de rede. Conheço pessoas que viagem muito pelo Brasil e que dizem para gente que não vêem, por exemplo, na Bahia, Pernambuco ou Amazônia, jornais com a pegada, os critérios e as reflexões críticas que nós colocamos em nos nossos telejornais. Fico muito satisfeito com isso.

PORTAL IMPRENSA: Você se considera um âncora do telejornalismo regional?

Abranches: Em termos conceituais, realizo trabalho de âncora porque tenho a liberdade de comentar, de opinar, de me revoltar, de me indignar... Essas liberdades foram conquistadas com o tempo. Não chegou da noite pro dia. Isso que a editoria de jornalismo me permite fazer, caracteriza trabalho de âncora. Considero-me, dentro desses aspectos, um âncora sim.

PORTAL IMPRENSA: O jornalismo regional é a menina dos olhos das grandes emissoras?

Abranches: Eu não tenho dúvida que seja. O jornalismo regional é, inclusive, o que a comunidade telespectadora quer. Ele quer sim saber o que acontece no mundo, mas sobretudo quer saber exatamente o que acontece na sua própria terra, no próprio quintal. Isso que faz, por exemplo, o nosso telejornal do meio-dia tenha uma audiência de 32%. A concorrência tem audiência de 1% no mesmo período. O telejornal da noite tem audiência de 56%. É algo muito forte. O público quer uma programação voltada para a região.

PORTAL IMPRENSA: Sendo uma emissora que abrange toda a região do Vale do Paraíba/SP, como foi o trabalho sobre as eleições municipais?

Abranches: Por critérios de limitação, a gente definiu que os debates seriam entre os candidatos à prefeitura nas cidades de Taubaté e São José dos Campos. Os outros foram convidados para falar durantes o telejornal. Poderíamos ter feito com maior abrangência, mas não foi possível. Até onde a gente foi, temos certeza que foi da maneira mais ética e isenta possível para atender a todos os telespectadores eleitores.

PORTAL IMPRENSA: Como é o relacionamento do jornalismo da Vanguarda com os poderes Executivo e Legislativo das grandes cidades do Vale do Paraíba?

Abranches: Tem um relacionamento que precisa ter. Relacionamento de cobrança, de respeito. Não temos conchavos com ninguém. Não temos "rabo" preso com ninguém. A gente se tiver que cobrar, cobra. Na minha tarefa como apresentador-âncora, cobro quando tem de cobrar. Se o prefeito estiver do meu lado, cobro do mesmo jeito. Se tiver de reconhecer alguma boa atitude, reconheço sem nenhum embaraço. Por que não fazer? Mas, em princípio, a gente prefere se indignar com o que está mal feito do que se vangloriar do que foi bem feito. Muito embora, a gente dá espaço para aquilo que está sendo bem feito e que merece ser divulgado.

PORTAL IMPRENSA: A vinda da sucursal da Globo para Taubaté facilitou a cobertura no Vale do Paraíba?

Abranches: Sem dúvida, facilitou muito nosso trabalho. Hoje, temos equipes na região de Taubaté para que cobrem o Vale histórico, onde a rapidez da chegada da reportagem é muito maior do que quando tínhamos só em São José dos Campos. Nós de São José cobrimos uma área. Taubaté cobre outra e isso ampliou em muito nossa cobertura satisfazendo muito mais a comunidade de 2 milhões de telespectadores.

PORTAL IMPRENSA: No mercado, há espaço para os recém formados?

Abranches: Sim, sempre há espaço para quem tem talento. Resta saber quais talentos a pessoa tem para explorar-los da melhor maneira possível.

PORTAL IMPRENSA: A universidade prepara o aluno para enfrentar o mercado profissional?

Abranches: A universidade dá uma ajuda para o aluno. Quem se prepara para o mercado é o próprio aluno lendo além daquilo que o professor indicou, indo além do que a universidade permitiu, fazendo mais do que ele tem ao seu alcance para ele fazer o diferencial na concorrência com os outros.

PORTAL IMPRENSA: Na Rede Vanguarda, como é produzido o jornal?

Abranches: A gente começa com uma reunião de pauta para ver como vai ser o jornal. Trabalhamos a manhã toda para preparar o jornal. Acompanhamos os repórteres na rua. Quando eles [repórteres] voltam, a gente fecha o texto deles, edita o material, faz o texto do apresentador e vai para o jornal "ao vivo". Terminado o jornal, a gente faz uma avaliação dos acertos e dos desacertos a fim de preparar o jornal do dia seguinte. E tudo começa de novo. Essa é a nossa rotina.

PORTAL IMPRENSA: Além de apresentador do telejornal, você também é editor de texto. Qual a função exercida nesse cargo?

Abranches: O editor de texto tem a função de acompanhar o repórter na rua. Eu já fui repórter de rua e sei como é isso. Hoje fico dentro do estúdio. Sou editor e apresentador. Como editor, acompanho o material sendo produzido. O repórter chega, olhou o que ele produziu, faço uma análise do texto junto com ele [repórter]. É sempre muito importante o trabalho em equipe. Depois vou para a ilha de edição e edito a matéria do repórter. Combina a imagem com o texto para que a matéria possa ir para o ar.

PORTAL IMPRENSA: O off final é gravado quando?

Abranches: O off é gravado assim que é terminado a checagem do texto. O repórter vai para a cabine, grava o off, que é aprovado antes pelo editor. Aí vem o processo de edição.

PORTAL IMPRENSA: Como foi sua trajetória até chegar ao jornalismo da Rede Vanguarda?

Abranches: Eu fiz vários cursos: filosofia, música - violão erudito - e paralelo a tudo isso fiz jornalismo na Universidade Federal de Juiz de Fora, minha cidade natal. Trabalhei na TV Globo de Minas, na TV Bandeirantes de Juiz de Fora. Há 10 anos estou na TV Globo do Vale do Paraíba.