Entidades não se pronunciam sobre onda de ataques de petistas contra editora do Estadão
Corretamente combativas quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro perseguiam profissionais de imprensa, a maioria das entidades brasileiras de defesa da liberdade de imprensa não se pronunciou até o fechamento desta matéria a respeito da série de ataques perpetrada por apoiadores do governo Lula, desde o último dia 18, contra a jornalista Andreza Matais, editora de política e diretora da sucursal do Estadão em Brasília.
Atualizado em 21/11/2023 às 10:11, por
Redação Portal IMPRENSA.
A exceção até o momento é a ANJ (Associação Nacional de Jornais), que manifestou repúdio às "tentativas de intimidação" contra o Estadão e Andreza. Para a entidade, a onda de ataques "demonstra um flagrante desrespeito à liberdade de imprensa".
Os ataques à jornalista foram motivados por uma matéria publicada no site da Revista Fórum, alegando que colaboradores do Estadão denunciaram Andreza Matais no Ministério Público do Trabalho por ela os pressionar a ligar o ministro da Justiça, Flávio Dino, à mulher de um criminoso.
A matéria foi publicada após o Estadão revelar que Luciane Farias, condenada por associação para o tráfico no Amazonas, esteve em reuniões no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em março e maio. Mulher de um líder da facção criminosa Comando Vermelho conhecido como "Tio Patinhas", Luciane teria ido ao MJSP durante evento de combate à tortura. Suas passagens aéreas teriam sido pagas pelo Ministério dos Direitos Humanos, chefiado por Sílvio Almeida. Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress Flávio Dino e Gleisi Hoffmann: petistas endossaram onda de ataques a jornalista do Estadão
Andreza Matais afirmou que a denúncia publicada na matéria da Fórum é falsa e que o departamento jurídico do Estadão vai tomar providências legais a respeito. Ela também declarou que as reportagens sobre a visita de Luciane Farias ao MJSP não têm erros de apuração.
"Para agravar, trata-se de um ataque que, mesmo anônimo, virou matéria. Não é a primeira vez que uma mulher jornalista é alvo de uma rede antidemocrática", disse a jornalista, lembrando o caso de Patrícia Campos Mello, que foi covardemente perseguida por apoiadores de Bolsonaro.
Dama das fake news
Presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann classificou a matéria da Fórum contra Andreza como "gravíssima". Para ela, as revelações do Estadão sobre a ida da esposa do chefe do Comando Vermelho ao MJSP são mentirosas e visam apenas "difamar o governo".
Apoiador do governo Lula, o influenciador Felipe Neto chegou a chamar Andreza Matais de "dama das fake news". A expressão viralizou no X (antigo Twitter).
Felipe Neto acabou apagando o post ofensivo e pediu desculpas à jornalista. "Peço a todos q me seguem q entendam q isso é um erro e não passem pano pra mim. Se é para criticar, que o foco seja o veículo, não o jornalista."
Diretor-executivo de jornalismo do Grupo Estado, Eurípedes Alcântara disse que a reação dos petistas "em nada diminui a qualidade da apuração da reportagem sobre as intimidades da dama do tráfico com altos funcionários públicos". Segundo ele, a onda de ataques "mostra apenas a incapacidade de certos setores de conviver com o jornalismo independente".





