Entidades literárias do Brasil falam sobre o legado de Gabriel García Márquez

Escritor e jornalista colombiano morreu no último dia 17 de abril.

Atualizado em 25/04/2014 às 16:04, por Alana Rodrigues*.

No último dia 17 de abril, o mundo se despediu do escritor e jornalista Gabriel García Márquez, considerado um dos mais importantes literatos do século 20 e um dos mais renomados autores latinos da história.

Gabo, como era conhecido, iniciou nas redações aos 19 anos, fez entrevistas memoráveis e foi autor de grandes reportagens. Crítico do fazer jornalístico, criou a Fundação Gabriel Garcia Márquez para o Novo Jornalismo Iberoamericano (FNPI), em 1995, em Cartagena das Índias, na Colômbia. Aos 20 anos, já costumava dizer que o jornalismo é ”melhor profissão do mundo”.

Crédito:Divulgação Brasileiros enaltecem legado do escritor colombiano
Márquez Jornalista

No ano de 1948, quando trabalhava para o jornal El Universal, passou a escrever contos e, mais tarde, começou a publicar uma coluna no El Heraldo . Na década de 50, foi enviado para a Europa como correspondente do El Espectador. Em 1954, como correspondente internacional foi para Roma e, depois de passar por outras cidades europeias, foi à Nova York.

Após as iniciativas na FNPI, o órgão concebeu, em 2013, a primeira edição do Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo. Em novembro, colegas de García Márquez reuniram-se em Medellín, na Colômbia, para participar de um ciclo de palestras sobre jornalismo e literatura. A intenção era premiar as quatro melhores reportagens do ano e homenagear a figura e a obra do escritor.

Macondo – Um solo literário

García Márquez pisou em solos literários na década de 1950 quando escreveu “A revoada (O enterro do diabo)”. O título, entretanto, foi publicado apenas em 1955, por iniciativas de amigos enquanto ele estava na Europa.

A explosão de sua carreira ocorreu em 1967, com a obra “Cem anos de solidão”, a qual rendeu mais de 50 milhões de exemplares e foi traduzida para 35 idiomas. Nela, o autor retrata a saga de gerações da família Buendia, na aldeia fictícia de Macondo, no gênero realismo fantástico.

Gabriel García Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 pelo conjunto de sua obra. Conquistou ainda o Prêmio de Novela ESSO por “Má Hora: O Veneno da Madrugada”, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Columbia, as Medalhas da Legião Francesa em Paris, e Águila Azteca, o Prêmio 40 Anos do Círculo de Jornalistas de Bogotá, o de Membro Honorário do Instituto Caro y Cuervo e de Doutor Honoris Causa da Universidade de Cádiz.
O legado do maestro

O presidente da Academia Paulista de Letras, Antonio Penteado Mendonça, relata que conheceu a obra de García Márquez ainda na adolescência. Após ler o clássico “Cem anos de solidão”, tornou-se fã do escritor colombiano, assim como muitos que também apreciaram a obra.

“’Cem anos de solidão’ caiu feito uma bomba no universo do jovem descobrindo o mundo através dos livros. Era algo novo, fora do foco dos escritores norte-americanos e europeus. Com ele a América Latina que eu já conhecia, em parte através de Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Jorge Amado e Guimarães Rosa, jogava na minha mesa uma literatura fantástica, rica e cheia de mistérios”, explica.

“Por conta dos livros da minha juventude eu aprendi a amar esse continente. Amo suas duas línguas, sua história e sua literatura, na qual García Márquez brilha como estrela de primeira grandeza”, acrescenta.

A Fundação Casa de Jorge Amado, instituição sem fins lucrativos que preserva e divulga o acervo do autor brasileiro, prestou homenagens ao escritor colombiano por meio do com uma foto de Amado e Márquez tirada pela esposa do brasileiro, Zélia Gattai, em um festival literário, na França, na década de 1970.

Também na rede social, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) um agradecimento ao colombiano pelo “realismo mágico de seu trabalho e a magia que realizou na história literária”.

Principais obras:

“A revoada” (O enterro do diabo) (1955) “Ninguém escreve ao coronel” (1958) “Funerales de la mama Grande” (1962) “A má hora” (O veneno da madrugada), (1962) “Cem anos de solidão” (1967) “O outono do patriarca” (1975) “Crônica de uma morte anunciada” (1982) “O amor nos tempos do cólera” (1985 “O general em seu labirinto” (1989) “Do amor e outros demônios” (1994) “Notícia de um sequestro” (1997) ”Viver para contar” (autobiografia, 2002) “Memória de minhas putas tristes” (2004)

Lembranças jornalísticas e outros textos:

“Relato de un náufrago” (1955) “Cuando era feliz e indocumentado” (1973) “Crónicas y reportajes” (1975) “De viaje por los países socialistas” “Monólogo de Isabel viendo llover en Macondo” (1969) “Chile, el golpe y los gringos” (1974) “Obra periodística. Vol. 1: Textos costeños”. (1981) “Viva Sandino” (1982) “El asalto: el operativo con el FSLN se lanzó al mundo”, (1983)

Cinema

"O amor nos tempos do cólera" (2007) - O diretor britânico Mike Newell escolheu filmar o best-seller de García Márquez e colocou Fernanda Montenegro como mãe de Florentino Ariza, interpretado pelo espanhol Javier Bardem. A atriz Giovanna Mezzogiorno interpretou Fermina Urbino, paixão impossível de Florentino.

"Memórias de minhas putas tristes" (2011) - Filme mais recente do diretor dinamarquês Henning Carlsen. O longa tem a participação de Geraldine Chaplin no papel de Rosa Cabarcas, a cafetina do romance.

"Crônica de uma morte anunciada" (1987) - O cineasta italiano Francesco Rosi adaptou para as telas do cinema a história de vingança, que leva à morte de Santiago Nasar, com Anthony Delon e Ornella Muti no elenco.

Frases famosas

"Nenhuma medicina cura o que a felicidade não pode curar." "O que importa na vida não é o que acontece com você, mas o que você lembra e como você lembra." "Um escritor famoso que quer continuar escrevendo precisa se defender constantemente da fama." "Não acredito em Deus, mas tenho medo Dele." "A pior forma de sentir saudade de alguém é estar sentado ao seu lado e saber que nunca o poderá ter." "A sabedoria é algo que quando nos bate à porta já não nos serve para nada" "O único arrependimento que eu vou ter de morrer é se não for por amor" "Um verdadeiro amigo é alguém que pega a sua mão e toca o seu coração." "Não é verdade que as pessoas param de buscar seus sonhos porque envelhecem. Elas envelhecem porque param de buscar seus sonhos." "Não chore porque acabou, sorria porque aconteceu."

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.