Entidades de imprensa repudiam órgão criado para regular informação na Venezuela
Após assinar decreto de criação do Centro Estratégico de Segurança e Proteção da Pátria (Cesppa), para regular informações sobre a administração pública do país, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vem recebendo grande reação contra seu governo.
Crédito:Agência Brasil Governo venezuelano tem sido criticado por criar órgão que regula a circulação de informações no país
De acordo com O Estado de S.Paulo , a Federação Nacional dos Jornalistas da Venezuela (CNP, na sigla em espanhol), condenou a criação do órgão, que seria controlado por militares. "O Cesppa é uma grave ameaça à liberdade de expressão e de imprensa na Venezuela e coloca sob controle militar um direito civil", afirmou em nota.
"O Cesppa poderá solicitar, organizar, juntar e avaliar as informações de interesse estratégico do país, associadas a inimigos internos ou externos, provenientes de todos os organismos de segurança e inteligência do Estado, bem como entidades públicas ou privadas", informa o texto do decreto de criação.
O governo alega que a intenção é "unificar o fluxo informativo de temas sensíveis para o país, como segurança, defesa, inteligência, ordem interna e diplomacia para neutralizar ameaças aos interesses da nação". O Cesppa pode considerar confidencial qualquer informação. "Não podemos supor outra coisa que não seja a censura a qualquer informação incômoda ao governo", acrescentou a CNP.
A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que abrange os principais jornais do continente, também repudiou a medida. "Estamos diante de um caso de arrogância sem fim, no qual o governo da Venezuela decide o que se pode informar, criticar e opinar, tendo às mãos um mecanismo com o qual pode controlar, censurar e punir", declarou Claudio Paolillo, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da entidade.
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