Entidades criticam pedido contra repórter feito por Greenhalgh, que contesta acusações
Entidades criticam pedido contra repórter feito por Greenhalgh, que contesta acusações
Nesta quinta-feira (27), a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal se manifestaram contra o pedido de busca e apreensão à casa do jornalista Leonencio Nossa - da sucursal de Brasília do jornal O Estado de S. Paulo - feito pelo advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
Ele fez a solicitação a um juiz para que o jornalista entregasse os documentos repassados a ele por militares que participaram dos combates entre as Forças Armadas e militantes do PC do B no Pará, nos anos 1970, no que ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia.
Maurício Azêdo, presidente da ABI, afirmou ao Estadão que fazendo essa solicitação à Justiça, Greenhalgh está manchando sua biografia de defensor de presos políticos. "O pedido é estranho e contraditório no caso do advogado, que se notabilizou ao defender vítimas da ditadura. Em termos políticos e pessoais, a ABI lamenta que ele tenha tomado essa medida", declarou.
Para o presidente da Fenaj, Sérgio Murilo, "esta proposta é um desatino do advogado. Todos os méritos ao jornalista, que cumpriu o seu papel, mas a postura de Greenhalgh é uma ameaça à liberdade de expressão. O advogado deve questionar as autoridades públicas para que revelem detalhes sobre a guerrilha, não um jornalista que investiga o assunto. É estranho o pedido partir de um profissional com o seu currículo", disse Murilo.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, Romário Schettino, também se manifestou, e explicou que, para ele, "o pedido do advogado tem matriz semelhante aos que defendiam escutas de repórteres e nos insurgimos contra esse tipo de tentativas de intimidação".
Explicação
Na última quarta-feira (26), Greenhalgh contestou em nota a acusação do Estadão - que trouxe à tona o pedido de busca e apreensão na matéria intitulada "Greenhalgh pede busca e apreensão na casa de repórter".
No texto, o advogado explica que o pedido judicial é um "requerimento para que se tomem providências judiciais necessárias à execução de decisão que condena a União a abrir os arquivos da ditadura referentes ao episódio denominado 'Guerrilha do Araguaia'".
"Nesse sentido, o pedido é para que sejam ouvidos todos os que nos últimos anos revelaram-se portadores de informações que possam colaborar para a reconstrução dos acontecimentos que resultaram na morte e no desaparecimento de guerrilheiros no Araguaia. Assim, pediu-se que o repórter Leonêncio Nossa seja ouvido, por ser autor de reportagens sobre o tema. O objetivo do pedido é que o repórter preste esclarecimentos e auxílio aos autores da ação", declarou.
Segundo ele, "o repórter tem condições de contribuir decisivamente com a história do país, ao colaborar com a localização e fornecimento ao Estado de documentos repassados por Sebastião Curió, autor de inúmeros delitos cometidos na 'Guerrilha do Araguaia'. A mencionada 'busca e apreensão' só ocorreria no caso de o repórter recusar-se a prestar informações à Justiça".
O advogado alega que "qualquer pessoa que tenha conhecimento do mais ínfimo pormenor sobre o assunto tem a obrigação moral de relatá-lo às autoridades judiciais, porque se trata do processo de reconstrução da verdade histórica de nosso país, compromisso com o qual todos os cidadãos brasileiros têm".
Ele ainda reclama do fato de o Estadão não tê-lo ouvido para fazer a reportagem, mostrando "falta de interesse em aprofundar a apuração". Ele diz na nota que o jornal "peca ainda ao tentar sustentar que eu 'repassei a jornalistas documentos militares que supostamente constrangeriam' José Genoino com o intuito de roubar-lhe votos para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2006".
Foto: Agência Brasil
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