Entidades alertam que agressões contra jornalistas multiplicaram no Brasil
Apenas neste ano, quatro jornalistas foram assassinados no país.
Atualizado em 26/05/2014 às 10:05, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Agência Brasil Entidades cobram lei para proteger jornalistas de violência
De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), apenas neste ano já foram assassinados quatro jornalistas no país, que em 2013 liderou o ranking do Instituto de Imprensa Internacional de países mais perigosos para os repórteres no continente, com seis mortes violentas.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registrou 163 agressões a profissionais de comunicação desde junho de 2013, início das manifestações. No episódio mais grave, o cinegrafista Santiago Andrade, da Band, morreu após ser atingido por uma bomba enquanto cobria um ato no centro do Rio de Janeiro.
O secretário-executivo da Abraji, Guilherme Alpendre, relatou que no último ano foi registrado "um aumento de hostilidade geral" contra a imprensa, e se mostrou "especialmente preocupado" pelo fato de que 80% dessas agressões foram de policiais contra repórteres identificados.
Apesar de alguns veículos oferecerem capacetes e coletes à prova de balas aos profissionais, a presidente do Sindicato de Jornalistas do Rio de Janeiro, Paula Máiran, avalia que a porcentagem de jornalistas que contam com o equipamento "é baixa".
Há duas semanas, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) apresentou o relatório intitulado “Segundo tempo para a imprensa brasileira”, o qual denuncia a "impunidade" dos assassinatos e o "assédio legal e censura judicial" que os "jornalistas críticos" sofrem. No Índice de Impunidade Global do CPJ, o Brasil segue em 11º lugar.
O Instituto Internacional de Imprensa solicitou ao governo brasileiro a aprovação de uma lei que facilite a perseguição jurídica dos autores de crimes contra jornalistas. O Congresso avalia há dois anos e meio um projeto de lei que propõe permitir à Polícia Federal a apuração de crimes contra jornalistas quando for detectada "omissão ou ineficácia das autoridades (estaduais) competentes".
Outros quatro projetos de proteção à imprensa seguem em tramitação no Senado. Dois deles, visam assegurar a provisão obrigatória de equipamentos de segurança a jornalistas que cobrem ações policiais e os demais buscam reduzir a impunidade das represálias violentas a repórteres.
A coordenadora geral do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Tássia Rabelo, afirmou que em uma recente reunião com representantes da Unesco foi debatida a criação de uma plataforma online que possibilite o acesso aos dados sobre violência contra jornalistas no país e negocia a criação do Observatório de Violência Contra Comunicadores, unidade para recepção e acompanhamento de denúncias de violência à imprensa.





