Entidade de Psicologia repudia menção honrosa concedida pelo Prêmio Vladimir Herzog

Entidade de Psicologia repudia menção honrosa concedida pelo Prêmio Vladimir Herzog

Atualizado em 27/10/2008 às 18:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Nesta segunda-feira (27), o Sistema Conselhos de Psicologia divulgou uma moção de repúdio contra a menção honrosa concedida à reportagem "Sem hospícios, morrem mais doentes mentais" - publicada em 9 de dezembro de 2007 no jornal O Globo - na 30ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

Considerando-se defensor das políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Reforma Psiquiátrica brasileira, o Sistema Conselhos de Psicologia manifestou-se contra a escolha da reportagem por "ignorar as críticas e denúncias acumuladas por vinte anos de luta antimanicomial no país".

Segundo o comunicado divulgado pela entidade, "a matéria contraria os norteadores e experiências relativas ao novo modelo de atenção à saúde mental, orientado por uma ética que prima pela observância dos direitos humanos cunhada no rigor técnico e metodológico. Simplifica os dados, descontextualiza fatos, ignora distintas versões sobre o campo atual da saúde mental e descompromete-se com a gestão de ações que contribuam para a melhora da qualidade da assistência e da vida daqueles que necessitam de intervenções complexas devido ao sofrimento psicossocial. Reforça, dessa forma, uma visão parcial e articulada com setores conservadores da sociedade, que refutam as propostas e conquistas da luta antimanicomial".

No texto, o Sistema Conselhos de Psicologia explica que, para eles, "o hospital psiquiátrico é um dispositivo de segregação, o que configura o aviltamento dos direitos humanos". Além disso, essas instituições "operam um manejo de silenciamento e exclusão da loucura", e as técnicas apresentadas como neutras e cientificamente corroboradas na reportagem "revelaram-se historicamente como mecanismos sutis, perversos e eficazes para a violação dos direitos humanos".

A entidade considera que a matéria premiada "desconsidera os avanços oriundos das políticas públicas em implementação no país, dando destaque somente aos opositores dessa proposta e manipulando os dados de modo a transparecer um quadro alarmante e sensacionalista". O texto lembra também que na época da publicação da reportagem, o jornal O Globo recebeu críticas e manifestações por parte de várias entidades ligadas à Psicologia e aos Direitos Humanos.

"O referido jornal compromete-se nessa matéria com o interesse de destruir as conquistas no campo e paralisar as mudanças em curso", diz a entidade. Na moção de repúdio, ela interroga a serviço de quem a imprensa brasileira se coloca negando-se a dar visibilidade "à ampliação da rede substitutiva aos hospitais psiquiátricos e às experiências exitosas que têm se implementado".

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