Enfim, o Fim

Enfim, o Fim

Atualizado em 19/10/2007 às 11:10, por Eduardo Pugnali.

O Fim é agora. Sim é agora mesmo, o Fim-de-Ano começa agora mesmo. Sempre considero o final do ano a partir da segunda quinzena de outubro, que é exatamente quando o mundo começa a se movimentar para o fatídico dezembro.

Não que isso seja ruim, mas parece que tudo tem que acontecer até o dia 20 de dezembro. São eventos, lançamentos de produtos, novas campanhas, balanços, ou seja, tudo de tudo se concentra nesses poucos dias. Até parece que nem teve o resto do ano. Temos 365 dias para fazer tudo, mas todas as forças conspiram para que aconteçam só nos últimos 60 mesmo.

Acredito que esse acúmulo de coisas nesse período mistura elementos culturais, sistêmicos e de preguiça mesmo. O mundo inteiro funciona assim e por mais que tenhamos dito, no ano passado, que esse ano iríamos organizar tudo melhor, no final tudo acontece como antes. Chega até ser engraçado e irônico, mas é assim mesmo. É uma espécie de reação em cadeia, mas que no nosso caso acaba indo parar nos jornais, revistas, rádios e televisões.

Quem está numa assessoria de comunicação nesse momento sabe bem o que estou falando. Não importa o segmento de atuação, tudo vai conspirar para que algo grande tenha que ser divulgado antes da chegada do Papai Noel. E não adianta fugir da rédea, senão as renas te pegam. E como não tem como escapar, o negócio é se vestir de ajudante do bom velhinho e partir para cima.

Esses últimos dias do ano são sem dúvida alguma a época de maior trabalho nas agências, com agendas lotadas, toneladas de ações para desenvolver e, principalmente, muita ansiedade dos clientes. Se fosse só o trabalho vá la, mas o que pega mesmo é ter que lidar com o jogo de xadrez que é encaixar pautas e estratégias em tão pouco tempo, com o mesmo número de veículos e ainda com as férias batendo à porta, pois muitas redações fecham edições de janeiro antecipadamente para poderem tirar alguns dias de folga coletiva.

Como conseguir colocar tanta coisa na imprensa e na cabeça do consumidor ao mesmo tempo é um desafio gigante e vou confessar, impossível. Os resultados nunca chegam aos pés do que seria em outra época do ano. Todos os editores, repórteres e produtores estão abarrotados de novidades para falar, desde produtos a passeios para os lugares mais exóticos do mundo. Conseguir emplacar algo é mais baseado na sorte de passar a informação num bom dia do que especificamente no conteúdo.

Eventos então nem se fala. Por exemplo, em São Paulo praticamente não há mais data livre para nenhuma casa de eventos de hoje até meados de dezembro, ou seja, teremos festas acontecendo todos os dias durante esse período. Será que todos esses encontros conseguiram ser pauta, por melhor que sejam ou que juntem os melhores convidados. Não, muita coisa vai passar batido pelos olhos da mídia ou terá registros corriqueiros.

O caminho para resolver toda essa equação é sem dúvida organização máxima. Inclua aí ligar para as redações e saber como vai ser o esquema de final de ano, verificar datas de fechamento e possíveis pautas. Juntar essas informações com o que o cliente está planejando e tentar mesclar prazos e conseguir algum resultado, que com certeza só vai ser visto com clareza em janeiro. Não há muito que fazer além disso, pois o resto é rotina mesmo.

Resolvido os problemas dos clientes, agora é a vez do nosso marketing pessoal. Afinal, temos que cuidar da nossa imagem tanto no que diz respeito à agência, mas também da nossa como profissionais. Aí é mais um trabalho de Hércules, pois temos que encontrar tempo para fazer isso e bem feito.

Para começo de conversa é bom lembrar de todos os coleginhas que lhe ajudaram durante o ano e montar um mailing bem legal para, no mínimo, mandar um cartão virtual de encerramento do ano. Se o ano foi bom, vale investir num brinde bacana e inteligente, mas corra para orçar logo isso senão o fornecedor não entrega. Como se vê, assim como os nossos clientes, nós também deixamos tudo para o fim do fim.

Fora isso, é mentalizar, concentrar e ter paciência máxima para trabalhar muito mesmo, pois os dias irão passar numa velocidade louca e quando você se der por si, estará numa fila de Shopping Center correndo para comprar os presentes de última hora que você, por conta do trabalho, não conseguiu fazer antes. C'est La Vie!

Então, desde já, Feliz 2008, pois agora só lá para nos vermos com calma.