Empresas de parentes de senador recebem concessões de TV e rádio em RR

Empresas de parentes de senador recebem concessões de TV e rádio em RR

Atualizado em 11/01/2011 às 09:01, por Redação Portal IMPRENSA.

Em 2010, empresas de comunicação de familiares do senador Romero Jucá (PMDB-RR) - líder do governo no Senado Federal - conseguiram novas concessões de TV e rádio para operar em Roraima, algumas delas, segundo o jornal Folha de S.Paulo , em época de eleições.

De acordo com a Folha, a empresa Buritis Comunicações Ltda., que pertence ao filho de Jucá, Rodrigo Jucá, obteve cinco concessões de emissoras de TV e uma de rádio, e é autorizada a retransmitir a programação das emissoras Record e Band, geradas na capital Boa Vista (RR) pelas afiliadas TV Imperial e TV Caburaí, respectivamente.

A TV Caburaí é controlada pela Buritis Comunicação. Já a TV Imperial e a Rádio Equatorial 93 FM estão registradas no nome de Emilio Surita, radialista e apresentador da RedeTV!. Segundo a reportagem da Folha , Surita é irmão da deputada federal eleita Teresa Jucá (PMDB-RR), ex-mulher do senador.

A empresa do filho de Jucá recebeu nos meses de fevereiro, setembro, outubro e novembro de 2010 autorização para estender os serviços da Record a quatro municípios do interior do estado, conforme portarias publicadas pelo Ministério das Comunicações. A ampliação do sinal da Band para uma cidade próxima a Boa Vista foi autorizada no último domingo (09).

Em maio de 2010, o Ministério homologou o resultado de uma licitação para a aquisição de uma emissora de rádio FM pela Buritis, localizada na capital de Roraima. Dessa forma, a família Jucá registrou 14 concessões sob seu domínio. Porém, a propriedade da TV Caburaí ainda está em litígio, pelo fato de o lobista Geraldo Magela da Costa contestar a posse da empresa, alegando que foi usado como "laranja" pelo político e por ter ficado com dívidas trabalhistas.

As acusações de Costa foram negadas por Jucá, que, por meio de sua assessoria, também se recusou a dar declarações sobre as concessões obtidas pelas empresas de comunicação de seus familiares.

Na última semana, o novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, defendeu a ideia de que políticos sejam proibidos de ter concessão de emissoras de rádio e TV, em entrevista ao jornal paulista. Porém, Bernardo não crê que o Congresso Nacional aprove a medida, inclusa no anteprojeto de lei de comunicação eletrônica deixada pelo ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Franklin Martins, para ser discutida este ano.

O ministro declarou que "é mais fácil fazer o impeachment do presidente da República do que impedir a renovação de uma concessão de rádio ou TV". "É o Congresso que autoriza as concessões. Então, me parece claro que o congressista não pode ter concessão, para não legislar em causa própria", disse.

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