Empreender para sobreviver
Sempre defendi, desde a minha primeira discussão de uma reforma curricular no ensino de jornalismo, que os cursos tenham um conjunto de disc
Atualizado em 02/10/2013 às 13:10, por
Gabriel Priolli.
Crédito:Leo Garbin iplinas e atividades voltadas ao empreendedorismo, ao fomento da livre iniciativa dos estudantes. Não tenho nenhum amor pelo capitalismo ou afinidade com ele, ao contrário.
Mas sou dotado de algum senso crítico e posso observar que os cursos são estruturados para formar trabalhadores, mão de obra, empregados, e não futuros editores, publishers, empresários. São assim desde sempre e seguem imutáveis, por mais que o mercado jornalístico se altere e coloque novas exigências.
Quando me formei, nos anos 1970, era até irrelevante a questão. Apesar da ditadura, ou talvez pela fome de informações gerada por ela mesma, o mercado jornalístico florescia. Os jornais e as revistas mantinham grandes redações, com dezenas, até centenas de profissionais. Televisões e rádios eram mais enxutos, mas ainda assim requeriam muita mão de obra. E ainda havia toda a área de assessoria de imprensa, em expansão permanente, para não falar da vasta imprensa “nanica”, os inúmeros tabloides independentes que não ofereciam lá empregos maravilhosos, mas pagavam as despesas básicas de seus profissionais. Não era um péssimo negócio ser empregado da mídia.
Hoje é. Lamento admitir isso, mas o que posso sustentar em contrário? Os empregos estão se extinguindo mais rápido que os dinossauros, caem cometas toda hora em cima deles. Os postos restantes são mais precários que a camada de ozônio. É mais fácil ganhar a Mega-Sena acumulada de Natal do que uma carteira assinada. A pejotagem é geral e irrestrita. A blogosfera, crescente, faz hoje o papel da imprensa nanica, mas é ainda menos profissionalizada e gera mais trabalho do que salário.
Resta apenas o jornalismo empresarial, como o grande empregador para as hordas de jornalistas que as escolas ejetam todos os anos. Ora, se assim é, se o emprego é um recurso em extinção no mercado, cabe ao candidato a jornalista criar o seu próprio trabalho. Empreender, numa palavra. Cabe às escolas, em decorrência, ensiná-lo a fazer isso. Mas, para tanto, será preciso vencer a mentalidade atrasada ainda muito presente nessas instituições, um esquerdismo tosco que tem aflições cutâneas (escarlatina?) quando ouve um aluno dizer que gostaria de abrir o seu próprio negócio.
É irônico, não deixa de ser, mas isto seria realmente revolucionário, num mercado que se concentra terrivelmente e que já deixou na poeira da memória alguns valores antes sagrados, como o pluralismo e a diversidade. Mais veículos – isto é, mais empresas jornalísticas, privadas ou cooperativadas – é o que pode reequilibrá-lo. Vale a pena ser “capitalista” por esse objetivo.

Mas sou dotado de algum senso crítico e posso observar que os cursos são estruturados para formar trabalhadores, mão de obra, empregados, e não futuros editores, publishers, empresários. São assim desde sempre e seguem imutáveis, por mais que o mercado jornalístico se altere e coloque novas exigências.
Quando me formei, nos anos 1970, era até irrelevante a questão. Apesar da ditadura, ou talvez pela fome de informações gerada por ela mesma, o mercado jornalístico florescia. Os jornais e as revistas mantinham grandes redações, com dezenas, até centenas de profissionais. Televisões e rádios eram mais enxutos, mas ainda assim requeriam muita mão de obra. E ainda havia toda a área de assessoria de imprensa, em expansão permanente, para não falar da vasta imprensa “nanica”, os inúmeros tabloides independentes que não ofereciam lá empregos maravilhosos, mas pagavam as despesas básicas de seus profissionais. Não era um péssimo negócio ser empregado da mídia.
Hoje é. Lamento admitir isso, mas o que posso sustentar em contrário? Os empregos estão se extinguindo mais rápido que os dinossauros, caem cometas toda hora em cima deles. Os postos restantes são mais precários que a camada de ozônio. É mais fácil ganhar a Mega-Sena acumulada de Natal do que uma carteira assinada. A pejotagem é geral e irrestrita. A blogosfera, crescente, faz hoje o papel da imprensa nanica, mas é ainda menos profissionalizada e gera mais trabalho do que salário.
Resta apenas o jornalismo empresarial, como o grande empregador para as hordas de jornalistas que as escolas ejetam todos os anos. Ora, se assim é, se o emprego é um recurso em extinção no mercado, cabe ao candidato a jornalista criar o seu próprio trabalho. Empreender, numa palavra. Cabe às escolas, em decorrência, ensiná-lo a fazer isso. Mas, para tanto, será preciso vencer a mentalidade atrasada ainda muito presente nessas instituições, um esquerdismo tosco que tem aflições cutâneas (escarlatina?) quando ouve um aluno dizer que gostaria de abrir o seu próprio negócio.
É irônico, não deixa de ser, mas isto seria realmente revolucionário, num mercado que se concentra terrivelmente e que já deixou na poeira da memória alguns valores antes sagrados, como o pluralismo e a diversidade. Mais veículos – isto é, mais empresas jornalísticas, privadas ou cooperativadas – é o que pode reequilibrá-lo. Vale a pena ser “capitalista” por esse objetivo.






