"Emissoras de TV exploram muito pouco potencial da internet", diz Bia Granja

Diretora do portal youPIX apresenta nesta terça-feira (18/11) o painel "Video na internet como modelo de negócio" no mídia.JOR

Atualizado em 18/11/2014 às 15:11, por Lucas Carvalho*.

Nesta terça-feira (18/11), IMPRENSA realiza em São Paulo (SP) a terceira edição do seminário internacional de comunicação mídia.JOR. O primeiro painel de hoje trata sobre vídeo na internet como modelo de negócio. Bia Granja, responsável pela plataforma , participou do debate.
Crédito:Lucas Carvalho Bia Granja, do youPIX, participa do mídia.JOR
Segundo ela, a internet possui um mercado já estabilizado, mas que não para de crescer. "A gente está vendo uma migração gigantesca dos formatos de linguagem da internet, como texto e imagem para vídeo. O Facebook está investindo agressivamente, o YouTube está procurando profissionalizar cada vez mais o mercado...", comenta.
Dados do Comitê Gestor da Internet (CGI) apontam que, dentro de cinco anos, 90% do conteúdo consumido por internautas será constituído por vídeos. Por conta disso, Bia diz que "todo mundo quer participar um pouco". "Mas hoje é muito mais difícil começar um novo canal na internet. Todo mundo quer criar. Os caras que são grandes hoje, como Cauê Moura e PC Siqueira, começaram no início da plataforma quando ainda era um mercado novo. Hoje é preciso muita profissionalização."
Recentes ações do YouTube no mercado publicitário revelam uma suposta preocupação com a concorrência. Se no passado a plataforma dominava o mercado de vídeos na internet, hoje o Instagram, Vimeo e o próprio Facebook também disputam a atenção dos usuários. Este último, com o recurso de "play automático" já superou YouTube em número de visualizações em 1 bilhão.
"O Facebook está trazendo aquela lógica de televisão: a pessoa fica 'zapeando' pelos canais até parar para ver alguma coisa. Outro dia eu fiquei 27 minutos vendo uma linha de produção de salsicha no Facebook", comenta Bia, com bom humor.
Se para amadores o YouTube é um terreno fértil, para a imprensa tradicional não é bem assim. De acordo com Bia, a suposta "migração" da TV para a internet começou há muito tempo, mas enfrenta resistência dos próprios veículos de comunicação.
"Já faz tempo que a televisão está migrando para a internet, ela só ainda não achou um formato. A Globo já tem o GShow, com vídeos, programas especiais para a internet, mas ainda explora muito pouco. As emissoras não querem colocar seu conteúdo nas plataformas que nós temos hoje, o Facebook e o YouTube. Elas querem colocar vídeos em plataformas que sejam próprias. Eles querem ter o lucro só pra eles", finaliza.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves