Emissoras apostam em talentos regionais para rejuvenescer bancada
O telejornalismo brasileiro passou por várias fases. A tradicional, que comportava um casal de âncoras na bancada. Depois, opiniões e comentários começaram a ser bem vindos.
Atualizado em 05/08/2011 às 18:08, por
Luiz Gustavo Pacete.
Recentemente, a informalidade e o deslocamento dos apresentadores pelos estúdios - deixando a bancada um pouco de lado - passaram a ser constantes, além da inserção de mais opinião e prestação de serviço, algo próximo do que é feito pelos telejornais regionais.
Outro traço relevante na trajetória do telejornalismo nacional está relacionado à velha discussão do sotaque dos apresentadores. Velha, porque o que antes era visto como um esforço de fonoaudiólogos em igualar as pronúncias parece estar se tornando um toque a mais: a valorização da riqueza cultural brasileira.
Prova disso, está em dois importantes telejornais que recentemente contrataram apresentadoras regionais. O primeiro foi o SBT Brasil, que trouxe da Paraíba a jornalista Rachel Sheherazade. A nova contratada apresenta o principal telejornal da emissora junto com o jornalista Joseval Peixoto. Rachel foi convidada diretamente por Silvio Santos após um comentário polêmico que fez no telejornal local e que chamou a atenção do empresário. Outro caso foi a chegada da jornalista mineira Stella Gontijo para apresentar, junto com Gabriel Cruz, a nova fase do Jornal da Gazeta. Nos dois casos, as apresentadoras não foram contratadas necessariamente pela questão regional, mas conseguem dar ritmo e dinamismo às escaladas com estilo próprio.
O Portal IMPRENSA acompanhou os bastidores do Jornal da Gazeta em sua nova fase, falou com Stella Gontijo. E no SBT conversou com a apresentadora Rachel Sheherazade, para entender a perspectiva de apresentadoras que aprenderam no jornalismo regional e chegaram até as bancadas nacionais.
Mudar sem perder o DNA
Stella Gontijo e Gabriel Cruz no Jornal da Gazeta O Jornal da Gazeta estreou um novo formato no dia 1º de agosto, agora com quatro pilares: esporte, comentário, entrevista e previsão do tempo. Dácio Nitrini, diretor de jornalismo da TV Gazeta, aponta que as alterações no principal noticiário da emissora faz parte de mudanças que começaram com a entrada da casa no mundo digital. "Nós percebemos que tínhamos que mudar quando fomos confrontados com essa realidade tecnológica. Mas tomamos o cuidado de não ferir nenhum de nossos princípios deixados do legado de Casper Líbero". O jornal também ganhou novos comentaristas como os jornalistas Bob Fernandes e Cesar Giobbi.
Stella Gontijo já passou por emissoras como a TV Tem no interior de São Paulo, atuando em várias cidades da região. Trabalhou na Record Ribeirão Preto, Band Minas Gerais e com pretensões de voltar a São Paulo, chegou até a Band Campinas. Dali foi escolhida para ser a nova âncora do Jornal da Gazeta, papel que foi ocupado por mais de dez anos pela jornalista Maria Lydia. "Olha, é claro que na estreia teve um frio na barriga, mas eu fui treinada para essa estreia, não fui jogada no olho do furacão. Passamos duas semanas gravando pilotos e nos preparando". Gabriel Cruz, apresentador que divide a bancada com Stela comenta que aprendeu bastante com a transição. Inclusive, conduzindo por muitos dias o jornal sozinho. "Eu acredito que todo esse processo me ajudou bastante para a nova fase".
Indignação acertada
Acompanhe a entrevista com Rachel Sheherazade, a nova âncora do SBT Brasil contratada diretamente por Silvio Santos após fazer comentários polêmicos no noticiário local.
Crédito:Roberto Nemanis/SBT Rachel Sheherazade IMPRENSA - Qual o balanço dos primeiros meses falando para o Brasil? Rachel Sheherazade - Acho que a receptividade tem sido melhor do que eu esperava. Estamos apresentando um jornal diferente, com linguagem mais coloquial, mais matérias de comportamento e serviços, e sem esquecer o factual. Além disso, temos muita opinião. São seis comentários diários sobre assuntos que eu e o Joseval escolhemos opinar. É uma fórmula diferente que tem agradado a muita gente.
IMPRENSA - De que forma você encara a forma como foi chamada para apresentar o programa, diretamente por Silvio Santos? Rachel - Foi uma surpresa quando soube que o próprio Sílvio tinha visto o meu comentário sobre o carnaval na internet, e que partiu dele a decisão de me contratar. Ele é um empresário sensível e corajoso.
IMPRENSA - Quais as maiores diferenças entre apresentar um telejornal regional e um nacional? Rachel - Não há muitas diferenças. Apenas no teor das matérias (que no caso de um telejornal nacional devem ser do interesse de todo país), e na repercussão do programa, que em vez de ser exibido para um único estado ou região, será visto por todo país.
IMPRENSA - Apesar de ter sido um comentário que te ajudou a chegar até a bancada do SBT BRASIL você continua tendo a mesma liberdade para os comentários? Rachel - Tenho. Fui contratada não só para ancorar um telejornal, mas principalmente para comentar os fatos. A diferença é que, no telejornal que apresentava na Paraíba, o tempo para comentários era livre. Então, podia dispor de dois, três minutos para minhas análises. No SBT Brasil temos a limitação natural do tempo de um programa em rede, então os comentários são bem mais enxutos, com 20, 30, 35 segundos. Tem sido um desafio ao meu poder de síntese.
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Outro traço relevante na trajetória do telejornalismo nacional está relacionado à velha discussão do sotaque dos apresentadores. Velha, porque o que antes era visto como um esforço de fonoaudiólogos em igualar as pronúncias parece estar se tornando um toque a mais: a valorização da riqueza cultural brasileira.
Prova disso, está em dois importantes telejornais que recentemente contrataram apresentadoras regionais. O primeiro foi o SBT Brasil, que trouxe da Paraíba a jornalista Rachel Sheherazade. A nova contratada apresenta o principal telejornal da emissora junto com o jornalista Joseval Peixoto. Rachel foi convidada diretamente por Silvio Santos após um comentário polêmico que fez no telejornal local e que chamou a atenção do empresário. Outro caso foi a chegada da jornalista mineira Stella Gontijo para apresentar, junto com Gabriel Cruz, a nova fase do Jornal da Gazeta. Nos dois casos, as apresentadoras não foram contratadas necessariamente pela questão regional, mas conseguem dar ritmo e dinamismo às escaladas com estilo próprio.
O Portal IMPRENSA acompanhou os bastidores do Jornal da Gazeta em sua nova fase, falou com Stella Gontijo. E no SBT conversou com a apresentadora Rachel Sheherazade, para entender a perspectiva de apresentadoras que aprenderam no jornalismo regional e chegaram até as bancadas nacionais.
Mudar sem perder o DNA
Stella Gontijo e Gabriel Cruz no Jornal da Gazeta O Jornal da Gazeta estreou um novo formato no dia 1º de agosto, agora com quatro pilares: esporte, comentário, entrevista e previsão do tempo. Dácio Nitrini, diretor de jornalismo da TV Gazeta, aponta que as alterações no principal noticiário da emissora faz parte de mudanças que começaram com a entrada da casa no mundo digital. "Nós percebemos que tínhamos que mudar quando fomos confrontados com essa realidade tecnológica. Mas tomamos o cuidado de não ferir nenhum de nossos princípios deixados do legado de Casper Líbero". O jornal também ganhou novos comentaristas como os jornalistas Bob Fernandes e Cesar Giobbi.
Stella Gontijo já passou por emissoras como a TV Tem no interior de São Paulo, atuando em várias cidades da região. Trabalhou na Record Ribeirão Preto, Band Minas Gerais e com pretensões de voltar a São Paulo, chegou até a Band Campinas. Dali foi escolhida para ser a nova âncora do Jornal da Gazeta, papel que foi ocupado por mais de dez anos pela jornalista Maria Lydia. "Olha, é claro que na estreia teve um frio na barriga, mas eu fui treinada para essa estreia, não fui jogada no olho do furacão. Passamos duas semanas gravando pilotos e nos preparando". Gabriel Cruz, apresentador que divide a bancada com Stela comenta que aprendeu bastante com a transição. Inclusive, conduzindo por muitos dias o jornal sozinho. "Eu acredito que todo esse processo me ajudou bastante para a nova fase".
Indignação acertada
Acompanhe a entrevista com Rachel Sheherazade, a nova âncora do SBT Brasil contratada diretamente por Silvio Santos após fazer comentários polêmicos no noticiário local.
Crédito:Roberto Nemanis/SBT Rachel Sheherazade IMPRENSA - Qual o balanço dos primeiros meses falando para o Brasil? Rachel Sheherazade - Acho que a receptividade tem sido melhor do que eu esperava. Estamos apresentando um jornal diferente, com linguagem mais coloquial, mais matérias de comportamento e serviços, e sem esquecer o factual. Além disso, temos muita opinião. São seis comentários diários sobre assuntos que eu e o Joseval escolhemos opinar. É uma fórmula diferente que tem agradado a muita gente.
IMPRENSA - De que forma você encara a forma como foi chamada para apresentar o programa, diretamente por Silvio Santos? Rachel - Foi uma surpresa quando soube que o próprio Sílvio tinha visto o meu comentário sobre o carnaval na internet, e que partiu dele a decisão de me contratar. Ele é um empresário sensível e corajoso.
IMPRENSA - Quais as maiores diferenças entre apresentar um telejornal regional e um nacional? Rachel - Não há muitas diferenças. Apenas no teor das matérias (que no caso de um telejornal nacional devem ser do interesse de todo país), e na repercussão do programa, que em vez de ser exibido para um único estado ou região, será visto por todo país.
IMPRENSA - Apesar de ter sido um comentário que te ajudou a chegar até a bancada do SBT BRASIL você continua tendo a mesma liberdade para os comentários? Rachel - Tenho. Fui contratada não só para ancorar um telejornal, mas principalmente para comentar os fatos. A diferença é que, no telejornal que apresentava na Paraíba, o tempo para comentários era livre. Então, podia dispor de dois, três minutos para minhas análises. No SBT Brasil temos a limitação natural do tempo de um programa em rede, então os comentários são bem mais enxutos, com 20, 30, 35 segundos. Tem sido um desafio ao meu poder de síntese.
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