Emissora de TV do Equador se recusa a transmitir propaganda do governo

Peça intitulada "A cidadania fala aos meios de comunicação", segundo o canal, faz parte de uma campanha contra a liberdade de imprensa.

Atualizado em 04/08/2014 às 18:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última sexta-feira (1/8), a emissora de TV equatoriana Ecuavisa encaminhou uma nota oficial à Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) afirmando que não vai transmitir um filme publicitário obrigatório do governo. A peça, intitulada "A cidadania fala aos meios de comunicação", segundo o canal, faz parte de uma campanha contra a liberdade de imprensa.
Crédito:reprodução O apresentador Alfonso Espinosa leu um editorial da emissora em protesto contra a campanha No filme, exibido em todos os canais abertos do Equador, cidadãos são questionados sobre o que pensam de determinados apresentadores e jornalistas. Na maioria dos filmes, os comentários são negativos e de caráter pessoal. No fim de cada comercial, surge a frase: "Esta é a verdadeira liberdade de expressão".
O apresentador Alfonso Espinosa leu um editorial da emissora em protesto contra a campanha. "A Ecuavisa considera que essas peças contradizem o direito à honra das pessoas e outros direitos garantidos pela Constituição e pela Lei de Comunicação". Em seguida, o jornalista usou seu espaço opinativo para também criticar a propaganda do governo.
"Esta decisão foi tomada em nome da decência. Não podemos aceitar que sejamos obrigados a transmitir peças oficiais com mensagens que buscam desacreditar e ofender jornalistas, mencionando-os por nome e sobrenome", disse Espinosa.
Segundo a agência EFE, o Conselho de Regulação e Desenvolvimento da Informação e Comunicação (Cordicom) também se posicionou contra os filmes, e solicitou ao secretário Nacional de Comunicação do Equador, Fernando Alvarado, a suspensão da campanha.

"Estamos convencidos do espírito e compromisso do Estado equatoriano e da Secretaria Nacional de Comunicação, Secom, com a proteção e defesa dos direitos constitucionais de todas as pessoas, sem discriminação", diz a carta assinada pelo presidente do Conselho, Patrício Barriga.
No , Alvarado condenou o posicionamento da emissora. "Para a Ecuavisa, a opinião de uma 'simples' pessoa sobre seus jornalistas não é bom, mas quando seus apresentadores opinam, isso é liberdade de expressão!", postou o secretário do governo.
Assista ao comunicado oficial da Ecuavisa: