Embaixador venezuelano acusa Washington Post de desinformar leitores

Embaixador venezuelano acusa Washington Post de desinformar leitores

Atualizado em 05/10/2010 às 09:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Embaixador venezuelano acusa Washington Post de desinformar leitores

O embaixador da Venezuela nos EUA, Bernardo Álvarez, enviou uma carta aberta ao jornal The Washington Post , em que acusa a publicação norte-americana de ter mentido ao veicular reportagens sobre o resultado das eleições legislativas do dia 26 de setembro deste ano. Álvarez escreveu que "mais uma vez" o veículo estava desinformando seus leitores "em relação à realidade do país".

Divulgação
Bernardo Álvarez

De acordo com informações da agência EFE, a matéria sobre as eleições venezuelana foi publicada na última sexta-feira (01/10). Na carta, o embaixador diz que o editorial do Washington Post "não só desvirtua a realidade de um processo eleitoral limpo e transparente", mas que mente "descaradamente" sobre os resultados.

A votação para eleger novos representantes para a Assembleia Legislativa foi favorável ao partido oposicionista. Porém, devido a uma nova legislação, o partido governista foi beneficiado e conquistou 60% das vagas, enquanto a oposição ficou com 40%.

O diplomata venezuelano afirmou que o jornal ignorou o significado da "democracia participativa". "Só pelo fato de o sistema eleitoral venezuelano ser diferente do americano, não dá o direito de desqualificá-lo", alegou Álvarez, que declarou que a população de seu país havia demonstrado "nossa vocação democrática e a confiança na transparência de nosso moderno sistema eleitoral".

"O Post deveria ressaltar que a oposição venezuelana - após repetidas tentativas de golpes e sabotagens nos últimos 11 anos - parece ter decidido se integrar ao jogo democrático", escreveu o embaixador, que rejeitou os números divulgados sobre as eleições, que mostravam a superioridade dos adversários do partido governista (52% do voto popular, segundo o veículo).

Ao final da correspondência, Alvarez declarou que a reportagem sobre a votação na Venezuela seguiu a linha editorial do Post que, segundo ele, é a de continuar uma "agressão contra o governo democrático, socialista, independente e soberano do presidente (Hugo) Chávez".

Na última semana, Chávez havia sido questionado pela repórter Andreina Flores, correspondente em Caracas, capital venezuelana, da Rádio France-International e da Rádio RCN, da Colômbia, sobre como explicaria a vitória do partido governista nas eleições. Irritado, o presidente disse mostrar preocupação pelo fato de a jornalista ignorar "as leis do país".

Após a entrevista, o Ministério das Comunicações da Venezuela pediu para que os correspondentes estrangeiros não atuem como "mais um ator político" e que trabalhem seguindo a "ética jornalística".

Leia mais

-
-
-