Em seu centenário, Carlos Marighella é anistiado pelo governo brasileiro

No dia em que completaria cem anos (05/12), o ex-guerrilheiro Carlos Marighella foi anistiado pelo governo brasileiro, durante a 53ª Caravana da Anistia, realizada em Salvador (BA).

Atualizado em 06/12/2011 às 11:12, por Redação Portal IMPRENSA.

Marighella, informa a Agência Brasil, foi militante do Partido Comunista Brasileiro, fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN) e um dos principais organizadores da luta armada contra o regime militar depois de 1964. Ele morreu assassinado em 1969, em São Paulo, por agentes da Ordem Política e Social (Dops).


Segundo o Ministério da Justiça, a família de Marighella não solicitou reparação econômica, apenas o reconhecimento da perseguição ao militante. Em 2008, Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, que também foi presa e passou anos exilada em Cuba, passsou a receber a pensão mensal de R$ 2,5 mil, além de um valor retroativo aos cinco anos anteriores.


Segundo análise dos conselheiros da comissão, o Estado agiu de maneira ilegal contra a vida de Marighella, privando-o de seus direitos políticos e de sua liberdade. Antes da anistia política, o Estado já havia reconhecido, em 1996, que fora responsável pela morte dele.


Marighella iniciou a militância aos 18 anos de idade quando se filiou ao Partido Comunista Brasileiro. Preso em 1936 durante a ditadura de Getulio Vargas, foi eleito deputado federal Constituinte em 1946 e, no ano seguinte, foi cassado. Quase vinte anos depois, foi preso novamente pelo Dops. Em 1968, fundou a ALN e no ano seguinte foi assassinado em uma emboscada.


A obra do militante foi registrada no "Manual do Guerrilheiro Urbano", que marcou diversos movimentos revolucionários das décadas de 1960 e 1970. No entanto, seus textos, traduzidos para diversas línguas, foram lidos na América Latina, Europa e África, chegando até os países árabes.

Em 1970, o Ministro do Interior da França proibiu a venda do livro "Pour la libération du Brésil". Como conseqüência, um grupo formado por 24 editores franceses associou-se para publicar a obra.


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