Em nota, associação de juízes repudia prêmio da ANJ à "Gazeta do Povo"
Nesta quarta-feira (15/5), um dia após a Associação Nacional de Jornais (ANJ) anunciar que o jornal paranaense Gazeta do Povo
Atualizado em 15/06/2016 às 16:06, por
Redação Portal IMPRENSA.
Nesta quarta-feira (15/5), um dia após a (ANJ) anunciar que o jornal paranaense Gazeta do Povo e cinco de seus profissionais serão homenageados com o Prêmio de Liberdade de Imprensa, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) emitiu uma repudiando o ato.
Crédito:Divulgação/Aniele Nascimento Guilherme Storck, Chico Marés, Euclides Lucas Garcia e Rogerio Galindo e Evandro Balmant
A entidade de juízes afirma que desde que os processos contra o jornal ganharam notoriedade dentro e fora do país, sempre "buscou mediar o conflito e construir um diálogo propositivo com o objetivo de primar por relações respeitosas e independentes entre imprensa e magistratura".
Entretanto, a AMB considera que a postura da ANJ em premiar jornalistas por "matéria tendenciosa" sobre os vencimentos da magistratura é um atentado ao direito à informação.
"Laurear o jornalismo irresponsável e voltado a descredibilizar a magistratura brasileira atenta não somente contra o Poder Judiciário, mas contra cada cidadão brasileiro que tem o direito de ser bem informado", diz a entidade.
Para a entidade, o acesso à informação é uma conquista da sociedade aumenta a responsabilidade dos jornalistas e veículos de comunicação. "Publicar uma remuneração que contempla verbas indenizatórias recebidas esporadicamente como se fosse mensal é uma evidente má-fé, que comprova o manejo de dados veiculados nos portais de transparência, uma vez que o jornalista tem acesso ao histórico de vencimentos de cada magistrado".
AMB entende que a Gazeta do Povo hostilizou os juízes em suas reportagens, ainda mais quando os magistrados, como qualquer cidadãos, buscaram na justiça o direito à reparação. Para a associação, o veículo usou de forma subvertida o dogma da liberdade de imprensa.
Por fim, o texto assinado pelo presidente da AMB, João Ricardo Costa, afirma que "a reação desproporcional das entidades nacionais da comunicação diante do caso revela que buscam uma imunidade absoluta, um salvo-conduto para causar danos sociais incompatíveis com uma democracia substancial".
Entenda o caso
Em fevereiro deste ano, o veículo publicou reportagens sobre “supersalários”, repercutindo o debate entorno do teto constitucional na remuneração de funcionários públicos. Depois da divulgação dos dados, juízes e promotores, ofendidos pelos textos, abriram, até o momento, 40 ações individuais contra os profissionais do diário.
Os processos foram abertos em diferentes juizados especiais, espalhados por pelo menos 15 cidades do Paraná, fazendo com que os jornalistas sejam obrigados a comparecer a cada audiência. Os pedidos de indenizações somam R$ 1,3 milhão.





