Em nome do autor
“Nós queremos dizer uma coisa pra vocês... Nós não somos clones não!.... Nós vamos mostrar como nós somos pessoas completamente diferentes através daquilo que nos distingue enquanto autores: os processos que nós ganhamos na área de direito autoral!
Atualizado em 29/04/2012 às 15:04, por
Kátia Zanvettor.
Caruso para Millôr Fernandes “Nós queremos dizer uma coisa pra vocês... Nós não somos clones não!.... Nós vamos mostrar como nós somos pessoas completamente diferentes através daquilo que nos distingue enquanto autores: os processos que nós ganhamos na área de direito autoral!
(Chico)Eu, por exemplo, teve um pôster com caricaturas de 150 músicos desenhado por mim, mas concebido, encomendado, contratado por outra pessoa, foi por mim utilizado anos depois numa charge para o jornal em que eu trabalho em um dia de eleição. Fiz os músicos seguindo, como a flautistas de Hamelin, aos candidatos. O jornal foi processado pelo contratante, dizendo que a obra era objeto de contrato de reserva de direitos, que haviam desvirtuado a obra dando-lhe um caráter político partidário. O jornal já havia perdido em duas instâncias quando provamos que a lei do direito autoral protege a arte, não a ideia, e que, embora concebida e encomendada por outro, era meu direito utilizá-la como bem me aprouvesse. Grande Costa Netto! ((Paulo)E eu, que comecei a ser cumprimentado por haver criado a publicidade na página ao lado do meu cartum numa importante revista que já era quando me dei conta de que não havia desenhado publicidade coisíssima nenhuma! Era apenas um anúncio dirigido para minha página na revista que já era, tentando apropriar-se do espaço que ainda era meu! Foi uma bela pendenga que foi decidida graças à argumentação imbatível de um profissional acostumado a brigar pelo seu quinhão! (Chico)Órfão de pai no seu primeiro ano de vida, e de mãe aos dez, talvez por isso teve que aprender a se defender sozinho... (Paulo)Mas levava os amigos junto com ele! (Chico)Começou a trabalhar aos 14, pegava o trem pra ir à labuta, depois estudava no Liceu de Artes e Ofícios, pegava o trem de volta pra casa onde morava com os tios! (Paulo)Sete pessoas em volta da mesa e apenas seis bifes. No primeiro dia ficou sem o seu, no segundo, pegou logo o maior! (Chico)Autodidata, logo aprendeu outras línguas e começou a traduzir: pagavam por página, dava pra calcular quanto ganharia por dia, por mês, por ano... (Paulo)Sempre foi bom de cálculo, mas gostava mesmo é de desenho: Flash Gordon o levava às alturas... (Chico)Um prazer quase sexual, no bom sentido - se é que isso existe... (Paulo)Começando como contínuo, resolveu descontinuar: Foi arrumar a biblioteca do Assis Chateaubriand! (Os dois juntos) Logo de quem! (Chico) Nas revistas O Cruzeiro e a Cigarra começou a publicar suas crônicas, fazia textos para os desenhos de Péricles e, em pouco tempo, tinha mais de dez colunas nas duas publicações, pedindo por isso uma decuplicação salarial... (Paulo)Se não conseguiu dez, conseguiu o suficiente para, aos dezoito, entrar numa loja de automóveis e...comprar um conversível! (Chico) Transformando, sob a liderança de um sobrinho do Chatô- Fred- o Cruzeiro em um sucesso editorial. Junto com David Nasser, Jean Manzon, Luis Carlos Barreto e tantos outros, a revista passou de 10 mil para 750 mil exemplares, com edições internacionais e o diabo! Mesmo assim foi demitido, enquanto viajava, graças à mulher mulher do editor da revista, contra a qual ganharia seu primeiro processo trabalhista... (Paulo) O primeiro processo a gente nunca esquece... (Chico) Daí pra frente, sua carreira de sucesso o transformou no jornalista mais bem pago da imprensa brasileira, o que ele mesmo acha uma contribuição importante para diginificar a profissão! (Paulo) Sugere também que se prendam mais milionários, para melhora o sistema prisional por dentro... (Juntos) Pra quem ainda não advinhou, estamos falando de...Millôr Fernandes! (Chico) Jornalista, escritor, dramaturgo, desenhista, pintor, hujmorista, anarquista mas acima de tudo carioca, Millôr Fernandes é sinônimo de qualidade em tudo que faz, inclusive nas suas lutas profissionais. (Paulo)-Ele que já disse que não faria publicidade por dinheiro nenhum no mundo, se perguntava: "-Quanto custa aquilo que a gente não faria por dinheiro nenhum no mundo e ainda assim é feito à nossa revelia?" (Chico) Pleiteou e conseguiu o pagamento de direito autoral para tradutores de obra de domínio público equivalente ao de autor esgrimindo o seguinte argumento: "-Se você não quiser pagar pela minha tradução pega outra, pede pra sua prima traduzir..." (Juntos) Pois foi esse jovem, que começou traduzindo as letrinhas dos balões das histórias em quadrinhos e que, em 1955 ganhou o primeiro prêmio num concurso de de desenho de humor em Buenos Aires, empatando com Saul Steinberg graças à sua famosa árvore, hoje pra nós uma árvore genealógica do humor brasileiro, foi ele que nos apresentou o direito autoral. Millôr Fernandes, enfim um escritor sem estilo!
(Chico)Eu, por exemplo, teve um pôster com caricaturas de 150 músicos desenhado por mim, mas concebido, encomendado, contratado por outra pessoa, foi por mim utilizado anos depois numa charge para o jornal em que eu trabalho em um dia de eleição. Fiz os músicos seguindo, como a flautistas de Hamelin, aos candidatos. O jornal foi processado pelo contratante, dizendo que a obra era objeto de contrato de reserva de direitos, que haviam desvirtuado a obra dando-lhe um caráter político partidário. O jornal já havia perdido em duas instâncias quando provamos que a lei do direito autoral protege a arte, não a ideia, e que, embora concebida e encomendada por outro, era meu direito utilizá-la como bem me aprouvesse. Grande Costa Netto! ((Paulo)E eu, que comecei a ser cumprimentado por haver criado a publicidade na página ao lado do meu cartum numa importante revista que já era quando me dei conta de que não havia desenhado publicidade coisíssima nenhuma! Era apenas um anúncio dirigido para minha página na revista que já era, tentando apropriar-se do espaço que ainda era meu! Foi uma bela pendenga que foi decidida graças à argumentação imbatível de um profissional acostumado a brigar pelo seu quinhão! (Chico)Órfão de pai no seu primeiro ano de vida, e de mãe aos dez, talvez por isso teve que aprender a se defender sozinho... (Paulo)Mas levava os amigos junto com ele! (Chico)Começou a trabalhar aos 14, pegava o trem pra ir à labuta, depois estudava no Liceu de Artes e Ofícios, pegava o trem de volta pra casa onde morava com os tios! (Paulo)Sete pessoas em volta da mesa e apenas seis bifes. No primeiro dia ficou sem o seu, no segundo, pegou logo o maior! (Chico)Autodidata, logo aprendeu outras línguas e começou a traduzir: pagavam por página, dava pra calcular quanto ganharia por dia, por mês, por ano... (Paulo)Sempre foi bom de cálculo, mas gostava mesmo é de desenho: Flash Gordon o levava às alturas... (Chico)Um prazer quase sexual, no bom sentido - se é que isso existe... (Paulo)Começando como contínuo, resolveu descontinuar: Foi arrumar a biblioteca do Assis Chateaubriand! (Os dois juntos) Logo de quem! (Chico) Nas revistas O Cruzeiro e a Cigarra começou a publicar suas crônicas, fazia textos para os desenhos de Péricles e, em pouco tempo, tinha mais de dez colunas nas duas publicações, pedindo por isso uma decuplicação salarial... (Paulo)Se não conseguiu dez, conseguiu o suficiente para, aos dezoito, entrar numa loja de automóveis e...comprar um conversível! (Chico) Transformando, sob a liderança de um sobrinho do Chatô- Fred- o Cruzeiro em um sucesso editorial. Junto com David Nasser, Jean Manzon, Luis Carlos Barreto e tantos outros, a revista passou de 10 mil para 750 mil exemplares, com edições internacionais e o diabo! Mesmo assim foi demitido, enquanto viajava, graças à mulher mulher do editor da revista, contra a qual ganharia seu primeiro processo trabalhista... (Paulo) O primeiro processo a gente nunca esquece... (Chico) Daí pra frente, sua carreira de sucesso o transformou no jornalista mais bem pago da imprensa brasileira, o que ele mesmo acha uma contribuição importante para diginificar a profissão! (Paulo) Sugere também que se prendam mais milionários, para melhora o sistema prisional por dentro... (Juntos) Pra quem ainda não advinhou, estamos falando de...Millôr Fernandes! (Chico) Jornalista, escritor, dramaturgo, desenhista, pintor, hujmorista, anarquista mas acima de tudo carioca, Millôr Fernandes é sinônimo de qualidade em tudo que faz, inclusive nas suas lutas profissionais. (Paulo)-Ele que já disse que não faria publicidade por dinheiro nenhum no mundo, se perguntava: "-Quanto custa aquilo que a gente não faria por dinheiro nenhum no mundo e ainda assim é feito à nossa revelia?" (Chico) Pleiteou e conseguiu o pagamento de direito autoral para tradutores de obra de domínio público equivalente ao de autor esgrimindo o seguinte argumento: "-Se você não quiser pagar pela minha tradução pega outra, pede pra sua prima traduzir..." (Juntos) Pois foi esse jovem, que começou traduzindo as letrinhas dos balões das histórias em quadrinhos e que, em 1955 ganhou o primeiro prêmio num concurso de de desenho de humor em Buenos Aires, empatando com Saul Steinberg graças à sua famosa árvore, hoje pra nós uma árvore genealógica do humor brasileiro, foi ele que nos apresentou o direito autoral. Millôr Fernandes, enfim um escritor sem estilo!






