Em meio a protesto, Folha reconhece erro pelo uso do termo "ditabranda"
Em meio a protesto, Folha reconhece erro pelo uso do termo "ditabranda"
Em meio a protesto, Folha reconhece erro pelo uso do termo "ditabranda"
No último sábado (07), em meio a protesto que reuniu cerca de 300 pessoas em frente à sede da Folha de S.Paulo , no centro da capital paulista, o diretor de Redação do diário, Otavio Frias Filho, emitiu nota, no qual reconhece ter sido "um erro" o uso do termo "ditabranda", ao se referir ao período de regime militar pelo qual passou o Brasil.
No texto, Frias se corrige e diz que todas as ditaduras são igualmente abomináveis. "O uso da expressão "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis".
Embora reconheça o erro, o diretor de Redação da Folha afirma que, ainda que truculenta, a ditadura brasileira foi menos repressiva de que a de outros países. "Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda", disse.
Quanto à polêmica reposta proferida pelo jornal às cartas envidas pelos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato, Frias Filho diz ter respondido com rispidez a uma imprecação ríspida. "A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, 'de joelhos', a uma autocrítica em praça pública". E completa. "Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam", finaliza.
Entenda o caso
Em editorial publicado em 17 de fevereiro, no qual o jornal comentava a vitória de Hugo Chávez em referendo que deu ao presidente venezuelano o direito de candidatar-se à reeleição quantas vezes quiser, o jornal classificou o regime militar instaurado no Brasil como "ditabranda", se comparado a ditaduras de outros países da América Latina.
O texto rendeu uma série de comentários e reações por parte dos leitores da Folha . Segundo informa o jornal, foram publicadas 21 cartas sobre o tema no "Painel do Leitor", sendo 18 contrárias ao diário. Entre elas, as cartas enviadas pelos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato foram respondidas com rispidez, outro fato causador de polêmica.
O descontentamento de parte dos leitores culminou no protesto realizado em frente ao jornal, com a presença de familiares de vítimas da ditadura, sindicalistas e estudantes. O ato foi organizado pelo Movimento dos Sem-Mídia.
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