Em meio a eleição presidencial, Equador vive assustadora deterioção da liberdade de imprensa

O assassinato de Fernando Villavicencio, jornalista investigativo e candidato presidencial do Equador, aumentou as preocupações sobre a liberdade de imprensa no país sul-americano.

Atualizado em 18/08/2023 às 16:08, por Redação Portal IMPRENSA.


Menos de dois meses antes do crime, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), com sede nos Estados Unidos, emitiu um relatório sobre as crescentes ameaças a profissionais de imprensa no Equador.
“Jornalistas e ativistas equatorianos temem que uma ‘tempestade perfeita’ esteja se formando para pôr em perigo a liberdade de imprensa neste país sul-americano”, destacou o relatório do CPJ, acrescentando que vários jornalistas foram forçados a fugir do país. Crédito: Divulgação Como jornalista, candidato presidencial assassinado Fernando Villavicencio investigou corrupção da Odebrecht De acordo com o grupo equatoriano de liberdade de imprensa Fundamedios, houve 356 ataques à imprensa em 2022, o maior número desde 2018. No primeiro trimestre de 2023, a organização relatou um total de 96 ataques, incluindo o envio de artefatos explosivos a pelo menos cinco jornalistas do país.
Coletes à prova de balas

Mesmo antes do assassinato de Villavicencio, muitos repórteres equatrorianos já vinham realizando a cobertura de eventos usando coletes à prova de balas. Após o crime esse tipo de precaução tornou-se ainda mais recorrente entre os profissionais de imprensa do país. Monica Almeida, jornalista equatoriana e membro do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, disse que a situação para os profissionais de imprensa do país é assustadora. “Estamos nas mãos da máfia. O Estado está perdendo o controle e as pessoas estão com muito medo”. Ela afirma que, fora da capital Quito, as ameaças a profissionais de imprensa são ainda mais comuns.
No começo de sua carreira jornalística, Villavicencio fundou um jornal focado nos direitos de trabalhadores. Quando já era um jornalista investigativo renomado, ele cobriu o escândalo de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.
Seu assassinato à luz do dia deixou outras nove pessoas feridas, incluindo dois policiais e um candidato à Assembleia Nacional. Segundo a Procuradoria-Geral do Equador, um dos suspeitos morreu sob custódia da polícia após ser atingido em um tiroteio. Seis colombianos, supostos membros de um grupo criminoso, foram presos por suspeita de terem ligação com o assassinato.
O Equador realiza neste domingo o primeiro turno de sua eleição presidencial. A disputa ocorre em meio a um aumento de 500%, nos últimos sete anos, na taxa de homicídios. Nesse período o país se tornou uma parte fundamental da rota do narcotráfico da América do Sul para os EUA e Europa. Além das gangues locais, grupos criminosos colombianos, mexicanos e albaneses estariam disputando esse mercado ilegal.