Em livro, jornalistas revelam bastidores do caso “Eliza Samudio e goleiro Bruno"

Os jornalistas Paula Sarapu, Paulo Carvalho e Leslie Leilão revelam bastidores do crime que resultou na morte de Eliza Samudio

Atualizado em 03/07/2014 às 14:07, por Gabriela Ferigato.

Quatro anos após o crime que resultou na morte de Eliza Samudio, amante de Bruno Fernades, ex-goleiro do Flamengo, três jornalistas retomam a história e contam bastidores do episódio. Paula Sarapu, Paulo Carvalho e Leslie Leilão acompanham o caso desde o começo, quando Eliza acusou Bruno de agressão e de tê-la obrigado a ingerir medicamentos abortivos.

Crédito:Divulgação Editora Record/ Juliana Piacesi Spinola Os autores Leslie Leitão, Paula Sarapu e Paulo Carvalho Carvalho, repórter do jornal Extra na época, foi o responsável pela gravação do vídeo em que Eliza denuncia o ex-atleta. Foi para Leslie Leitão, que trabalhava no jornal O Dia junto com Paula, que a delegada Alessandra Wilke afirmou que a ex-amante do goleiro estava morta e que Bruno era o principal suspeito.

Envolvidos de alguma forma nas investigações do crime, os jornalistas se reencontraram em novembro de 2012 no Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais, e decidiram juntar suas apurações em uma grande reportagem, que resultou no livro “Indefensável” (Record), lançado em junho deste ano.
“Recontamos a história com uma riqueza de detalhes muito grande, além dos bastidores das investigações, da rotina desregrada no Flamengo, das manobras nos julgamentos. Mergulhamos com muita profundidade nas relações afetivas e no universo de Ribeirão das Neves (MG), onde Bruno e Macarrão passaram a infância, para entender aqueles personagens e suas histórias. Sem dúvida, o pano de fundo desse crime é uma tragédia social muito grande”, conta Paula Sarupu.

Fruto de mais de uma centena de entrevistas, a jornalista destaca que a obra lança novas questões sobre a história. Contaram, por exemplo, que o promotor do caso seria alvo de um atentado quatro dias antes ao julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, condenado pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza. Em outra passagem, os autores detalham uma reunião na casa de Marcos Braz, ex-dirigente do Flamengo, onde se discutiu a compra de um habeas corpus para o goleiro.

“Apesar de o leitor conhecer o final desta história – a condenação dos envolvidos – conseguimos despertar a atenção e curiosidade, fazendo-o refletir sobre um ponto fundamental nesta história, com luz à tragédia social e à vida íntima daquelas pessoas: por que Bruno mandou matar Eliza? Ele ganhava R$ 120 mil por mês em carteira assinada. Ela pedia R$ 3.500 de pensão”, destaca Paula.

De lá pra cá, Bruno se tornou frequentador assíduo das páginas da imprensa brasileira e estrangeira. Para Paula, o maior desafio da cobertura da mídia talvez tenha sido o acompanhamento do dia a dia. “Este é um caso que chama tanta atenção da sociedade que o principal site de notícias do país saiu do ar quando apresentava sua cobertura em tempo real da explanação do promotor, quando acusava o fiel escudeiro de Bruno. Tudo o que diz respeito ao Bruno vira notícia”, finaliza.