Em livro, jornalistas contam a história do "tetra-tricampeonato" de Ayrton Senna
Obra passa pelas três temporadas em que o brasileiro foi campeão, além da que ele perdeu por uma manobra "fora das pistas".
Atualizado em 21/11/2014 às 15:11, por
Lucas Carvalho*.
Oficialmente Ayrton Senna foi três vezes campeão mundial de Fórmula 1, nas temporadas de 1988, 1990 e 1991. Não chegou aos mesmos números do alemão Michael Schumacher (sete títulos) ou os de Sebastian Vettel (aos 26 anos, o mais jovem tetracampeão do mundo). Mas seus feitos atrás do volante o elevaram ao status de um dos maiores ídolos do esporte no mundo.
Crédito:Divulgação Conquistas do piloto são contadas no livro dos jornalistas
Fãs de Senna, os jornalistas Ricardo Taves e Diego Salgado resolveram transformar em livro a história dos títulos mundiais do piloto brasileiro. “Senna – A história do tetra-tricampeonato” se concentra na carreira esportiva do ídolo, relembrando inclusive o troféu que ele, por pouco, não levantou.
Em 1989, numa corrida no Japão, Senna foi desclassificado por usar uma manobra ilegal para retornar à pista após uma batida. Por conta desses pontos perdidos – que o piloto teria garantido se sua vitória fosse consolidada –, o campeonato daquele ano acabou vencido por seu antagonista nas pistas, o francês Alain Prost. O tri, por pouco, não foi tetra.
Diego revela que a ideia surgiu em 2013, mais precisamente em 30 de outubro, quando completaram-se 25 anos do primeiro título de Senna. “Foi numa conversa informal. Houve algumas comemorações, algumas matérias lembrando desse fato e a gente teve a ideia de contar porquê o Senna não é tetra”, diz.
Taves destaca, porém, que a obra não se concentra só na temporada de 1989. “O foco não é maior em 1989, o livro fecha bem as outras três temporadas [em que Senna foi campeão]. O que fazemos sobre 1989 é explorar o máximo possível o ponto de vista do Senna, que não teve oportunidade à época para uma defesa justa, já que Prost, Balestre [o então presidente da Federação Internacional de Automobilismo, Jean-Marie] e companhia trataram Ayrton quase como um criminoso por simplesmente ser determinado”, afirma.
Ao todo, o trabalho de apuração para a produção do livro durou um ano, com entrevistas e pesquisas em arquivos de jornais da época. A obra deixa de lado qualquer aspecto da vida pessoal de Senna, mas traz relatos de pessoas próximas, como seus irmãos Leonardo e Viviane. “Dona Neide”, mãe do piloto, revisou todo o conteúdo. A publicação chegou às lojas exatamente um ano depois do surgimento da ideia.
Crédito:Divulgação Diego Salgado e Ricardo Taves relebram carreira do piloto brasileiro
O livro traz informações abrangentes sobre cada um dos quatro campeonatos, além de capítulos especiais sobre a equipe pela qual Senna corria na época e um para cada GP de Suzuka, no Japão, o último de cada temporada. Um dos principais destaques da obra, entretanto, é a relação de rivalidade entre o brasileiro e o francês.
“Essa rivalidade permeia toda a história do Ayrton, desde 1984”, afirma Diego, lembrando a primeira temporada disputada por Senna. “Hoje, muita gente compara com a rivalidade entre Lewis Hamilton e Niko Rosberg, que também são da mesma equipe [como Senna e Prost foram em 1989], mas não chega nem perto. A rivalidade entre Senna e Prost pode ter sido a maior da história da Fórmula 1, com toda a certeza”, acrescenta.
O livro tenta ao máximo se manter isento nessa disputa, sem defender nenhum dos pilotos: de acordo com Taves, “não há lados”. “Senna e Prost se completavam em praticamente todos os aspectos. Os números da rivalidade são favoráveis a Senna, mas certamente ambos não chegariam ao status que alcançaram sem o outro. Todos sabem que Alonso, Schumacher, Vettel e outros são campeões, poucos sabem como. As conquistas de Senna e Prost no período são inesquecíveis”, completa.
O ícone
De acordo com Diego, o torcedor brasileiro dificilmente se dá conta da importância de Senna para o esporte e para a própria identidade nacional. O jornalista, que tinha cerca de seis anos quando viu o piloto ser campeão pela primeira vez, revela a satisfação por ter tido a chance de assistir, mais uma vez, as corridas de seu ídolo.
Crédito:Divulgação Obra relembra título "roubado" do piloto
“O Ayrton deixou de ser um dos maiores esportistas do Brasil para se tornar um dos maiores ícones do esporte mundial em todos os tempos. O que ele fez em dez, quase 11 temporadas, na Fórmula 1 é algo que poucas vezes se viu na história do esporte. Tenho certeza que, se ele não tivesse morrido em 1994, teria alcançado feitos ainda maiores”, explica.
Rafael Sanches, ilustrador do livro, também compensou seu lado de fã ao trabalhar na obra. "Fazer parte do projeto e conseguir retratar o que os autores estavam contando foi o meu objetivo. As ilustrações retratam bem isso. Ainda mais morar em Interlagos e ter Senna presente em boa parte da minha infância, tornou ainda mais emocionante."
“Ele é único. Trata-se, na minha opinião, do maior nome brasileiro no esporte em toda a história. Pode ser ‘menor’ que Pelé e outros craques do futebol na esfera mundial, mas para o brasileiro será sempre o número um”, finaliza Taves.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Conquistas do piloto são contadas no livro dos jornalistas
Fãs de Senna, os jornalistas Ricardo Taves e Diego Salgado resolveram transformar em livro a história dos títulos mundiais do piloto brasileiro. “Senna – A história do tetra-tricampeonato” se concentra na carreira esportiva do ídolo, relembrando inclusive o troféu que ele, por pouco, não levantou.
Em 1989, numa corrida no Japão, Senna foi desclassificado por usar uma manobra ilegal para retornar à pista após uma batida. Por conta desses pontos perdidos – que o piloto teria garantido se sua vitória fosse consolidada –, o campeonato daquele ano acabou vencido por seu antagonista nas pistas, o francês Alain Prost. O tri, por pouco, não foi tetra.
Diego revela que a ideia surgiu em 2013, mais precisamente em 30 de outubro, quando completaram-se 25 anos do primeiro título de Senna. “Foi numa conversa informal. Houve algumas comemorações, algumas matérias lembrando desse fato e a gente teve a ideia de contar porquê o Senna não é tetra”, diz.
Taves destaca, porém, que a obra não se concentra só na temporada de 1989. “O foco não é maior em 1989, o livro fecha bem as outras três temporadas [em que Senna foi campeão]. O que fazemos sobre 1989 é explorar o máximo possível o ponto de vista do Senna, que não teve oportunidade à época para uma defesa justa, já que Prost, Balestre [o então presidente da Federação Internacional de Automobilismo, Jean-Marie] e companhia trataram Ayrton quase como um criminoso por simplesmente ser determinado”, afirma.
Ao todo, o trabalho de apuração para a produção do livro durou um ano, com entrevistas e pesquisas em arquivos de jornais da época. A obra deixa de lado qualquer aspecto da vida pessoal de Senna, mas traz relatos de pessoas próximas, como seus irmãos Leonardo e Viviane. “Dona Neide”, mãe do piloto, revisou todo o conteúdo. A publicação chegou às lojas exatamente um ano depois do surgimento da ideia.
Crédito:Divulgação Diego Salgado e Ricardo Taves relebram carreira do piloto brasileiro
O livro traz informações abrangentes sobre cada um dos quatro campeonatos, além de capítulos especiais sobre a equipe pela qual Senna corria na época e um para cada GP de Suzuka, no Japão, o último de cada temporada. Um dos principais destaques da obra, entretanto, é a relação de rivalidade entre o brasileiro e o francês.
“Essa rivalidade permeia toda a história do Ayrton, desde 1984”, afirma Diego, lembrando a primeira temporada disputada por Senna. “Hoje, muita gente compara com a rivalidade entre Lewis Hamilton e Niko Rosberg, que também são da mesma equipe [como Senna e Prost foram em 1989], mas não chega nem perto. A rivalidade entre Senna e Prost pode ter sido a maior da história da Fórmula 1, com toda a certeza”, acrescenta.
O livro tenta ao máximo se manter isento nessa disputa, sem defender nenhum dos pilotos: de acordo com Taves, “não há lados”. “Senna e Prost se completavam em praticamente todos os aspectos. Os números da rivalidade são favoráveis a Senna, mas certamente ambos não chegariam ao status que alcançaram sem o outro. Todos sabem que Alonso, Schumacher, Vettel e outros são campeões, poucos sabem como. As conquistas de Senna e Prost no período são inesquecíveis”, completa.
O ícone
De acordo com Diego, o torcedor brasileiro dificilmente se dá conta da importância de Senna para o esporte e para a própria identidade nacional. O jornalista, que tinha cerca de seis anos quando viu o piloto ser campeão pela primeira vez, revela a satisfação por ter tido a chance de assistir, mais uma vez, as corridas de seu ídolo.
Crédito:Divulgação Obra relembra título "roubado" do piloto
“O Ayrton deixou de ser um dos maiores esportistas do Brasil para se tornar um dos maiores ícones do esporte mundial em todos os tempos. O que ele fez em dez, quase 11 temporadas, na Fórmula 1 é algo que poucas vezes se viu na história do esporte. Tenho certeza que, se ele não tivesse morrido em 1994, teria alcançado feitos ainda maiores”, explica.
Rafael Sanches, ilustrador do livro, também compensou seu lado de fã ao trabalhar na obra. "Fazer parte do projeto e conseguir retratar o que os autores estavam contando foi o meu objetivo. As ilustrações retratam bem isso. Ainda mais morar em Interlagos e ter Senna presente em boa parte da minha infância, tornou ainda mais emocionante."
“Ele é único. Trata-se, na minha opinião, do maior nome brasileiro no esporte em toda a história. Pode ser ‘menor’ que Pelé e outros craques do futebol na esfera mundial, mas para o brasileiro será sempre o número um”, finaliza Taves.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





