Em livro, jornalista mostra novas descobertas da ciência sobre vida fora da Terra
"A famosa pergunta ‘estamos sós no universo?’ pode estar em vias de ser respondida", diz Salvador Nogueira.
Atualizado em 22/08/2014 às 15:08, por
Lucas Carvalho*.
"A famosa pergunta ‘estamos sós no universo?’ pode estar em vias de ser respondida. Trata-se de um momento muito especial para a humanidade." Quem diz isso é o jornalista Salvador Nogueira, autor do blog “ ”, da Folha de S. Paulo, e do recém-lançado livro “Extraterrestres”, obra que pretende jogar luz sobre as recentes descobertas da ciência a respeito da existência de vida em outros planetas.
Crédito:Divulgação Salvador Nogueira escreveu livro sobre descobertas sobre a existência de vida em outros planetas
Nada de OVNIs, discos voadores, desenhos em plantações ou relatos de abduções. O foco do trabalho de Nogueira é mostrar como laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo têm reunido dados concretos sobre planetas distantes que podem, em teoria, abrigar vida semelhante à humana.
"A ideia do livro é mostrar que estamos no limiar de grandes descobertas. Pela primeira vez temos tecnologias que nos permitem por à prova o chamado princípio copernicano — a noção de que a Terra não é um planeta especial ou de algum modo privilegiado no Universo", diz o jornalista.
A astronomia – campo em que Nogueira atua como divulgador – é de extrema importância para o público em geral, diz o jornalista. “Ela oferece um contexto para a nossa existência. Ela ao mesmo tempo destaca o que temos de especial - essa vontade de compreender o Universo à nossa volta, singular dentre todas as espécies terrestres - e a nossa própria pequenez, diante de um cosmos tão vasto e cheio de possibilidades. Ela diz respeito a grandes questões filosóficas, que ajudam a definir nossa própria humanidade."
ETs entre nós
Sobre a chamada “ufologia” – o estudo dos misteriosos fenômenos observados ao redor do planeta que indicam a manifestação de extraterrestres em nosso meio – Nogueira é categórico: ela não poder ser encarada como ciência.
“A ufologia não se sustenta como ciência porque não permite a aplicação do método científico. Um dos preceitos básicos desse método é a formulação de hipóteses que podem ser testadas e, se erradas, refutadas. Como a ufologia se baseia na maioria das vezes em relatos, testemunhos e imagens de baixa qualidade (na melhor das hipóteses), torna-se impossível distinguir entre casos genuinamente misteriosos e casos explicáveis como enganos ou fraudes”, afirma.
Mas o jornalista deixa claro que isso não significa que alguns casos sobre OVNIs ou algo parecido não sejam críveis ou até mesmo sugestivos sobre alienígenas. “Quer dizer apenas que está fora do escopo da ciência investigar esses casos e, portanto, corroborar hipóteses acerca deles. Não há o que aprender com a ufologia. O joio e o trigo são inseparáveis.”
Jornalismo científico
De acordo com Nogueira, existe um “desprezo velado” por todo tipo de pesquisa científica que não parece ter utilidade prática no dia-a-dia das pessoas. “Tanto por parte do público como por parte de veículos de comunicação e a razão é a falta de compreensão de como a ciência funciona e como impulsiona nosso modo de vida”, diz.
Crédito:Divulgação Autor defende que estudiosos frequentem mais a imprensa Segundo o jornalista, é aí que entra o trabalho do repórter especializado em ciência. “Cabe aos divulgadores de ciência explicar como as coisas funcionam, em todas as esferas, e reverter o analfabetismo científico que infelizmente ainda assola nosso país”, acrescenta. Ele lembra a proposta do Ministério da Educação (MEC) de unificar as disciplinas física, química e biologia em uma só matéria no Ensino Médio. “Um retrocesso travestido de modernidade.”
Como em outras editorias, a área de ciências também convive com o discurso de comunicadores por formação e especialistas. Para Nogueira, porém, não existe concorrência entre jornalistas e acadêmicos na imprensa, por exemplo. Ele diz que a divulgação científica pode ser muito bem dividida entre os dois tipos de profissionais, de forma complementar.
“Os cientistas podem e devem buscar espaço na mídia para se expressar e apresentar seu trabalho ao público leigo. Ao jornalista sempre caberá o olhar crítico da ciência, como uma forma de produção cultural que tem seus vícios e precisa ser monitorada e relatada. [...] Não acredito que uma formação específica devesse conceder a um grupo o monopólio desse exercício. A pluralidade de vozes sempre foi e sempre será o maior poder da imprensa", conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Salvador Nogueira escreveu livro sobre descobertas sobre a existência de vida em outros planetas
Nada de OVNIs, discos voadores, desenhos em plantações ou relatos de abduções. O foco do trabalho de Nogueira é mostrar como laboratórios e centros de pesquisa ao redor do mundo têm reunido dados concretos sobre planetas distantes que podem, em teoria, abrigar vida semelhante à humana.
"A ideia do livro é mostrar que estamos no limiar de grandes descobertas. Pela primeira vez temos tecnologias que nos permitem por à prova o chamado princípio copernicano — a noção de que a Terra não é um planeta especial ou de algum modo privilegiado no Universo", diz o jornalista.
A astronomia – campo em que Nogueira atua como divulgador – é de extrema importância para o público em geral, diz o jornalista. “Ela oferece um contexto para a nossa existência. Ela ao mesmo tempo destaca o que temos de especial - essa vontade de compreender o Universo à nossa volta, singular dentre todas as espécies terrestres - e a nossa própria pequenez, diante de um cosmos tão vasto e cheio de possibilidades. Ela diz respeito a grandes questões filosóficas, que ajudam a definir nossa própria humanidade."
ETs entre nós
Sobre a chamada “ufologia” – o estudo dos misteriosos fenômenos observados ao redor do planeta que indicam a manifestação de extraterrestres em nosso meio – Nogueira é categórico: ela não poder ser encarada como ciência.
“A ufologia não se sustenta como ciência porque não permite a aplicação do método científico. Um dos preceitos básicos desse método é a formulação de hipóteses que podem ser testadas e, se erradas, refutadas. Como a ufologia se baseia na maioria das vezes em relatos, testemunhos e imagens de baixa qualidade (na melhor das hipóteses), torna-se impossível distinguir entre casos genuinamente misteriosos e casos explicáveis como enganos ou fraudes”, afirma.
Mas o jornalista deixa claro que isso não significa que alguns casos sobre OVNIs ou algo parecido não sejam críveis ou até mesmo sugestivos sobre alienígenas. “Quer dizer apenas que está fora do escopo da ciência investigar esses casos e, portanto, corroborar hipóteses acerca deles. Não há o que aprender com a ufologia. O joio e o trigo são inseparáveis.”
Jornalismo científico
De acordo com Nogueira, existe um “desprezo velado” por todo tipo de pesquisa científica que não parece ter utilidade prática no dia-a-dia das pessoas. “Tanto por parte do público como por parte de veículos de comunicação e a razão é a falta de compreensão de como a ciência funciona e como impulsiona nosso modo de vida”, diz.
Crédito:Divulgação Autor defende que estudiosos frequentem mais a imprensa Segundo o jornalista, é aí que entra o trabalho do repórter especializado em ciência. “Cabe aos divulgadores de ciência explicar como as coisas funcionam, em todas as esferas, e reverter o analfabetismo científico que infelizmente ainda assola nosso país”, acrescenta. Ele lembra a proposta do Ministério da Educação (MEC) de unificar as disciplinas física, química e biologia em uma só matéria no Ensino Médio. “Um retrocesso travestido de modernidade.”
Como em outras editorias, a área de ciências também convive com o discurso de comunicadores por formação e especialistas. Para Nogueira, porém, não existe concorrência entre jornalistas e acadêmicos na imprensa, por exemplo. Ele diz que a divulgação científica pode ser muito bem dividida entre os dois tipos de profissionais, de forma complementar.
“Os cientistas podem e devem buscar espaço na mídia para se expressar e apresentar seu trabalho ao público leigo. Ao jornalista sempre caberá o olhar crítico da ciência, como uma forma de produção cultural que tem seus vícios e precisa ser monitorada e relatada. [...] Não acredito que uma formação específica devesse conceder a um grupo o monopólio desse exercício. A pluralidade de vozes sempre foi e sempre será o maior poder da imprensa", conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





