Em livro, editor da revista "Quatro Rodas" revela ser “o homem que dirigiu tudo”

Editor da revista “Quatro Rodas”, o jornalista já conduziu mais de mil carros durante a sua carreira e pretende seguir fazendo novos testes.

Atualizado em 08/12/2014 às 15:12, por Christh Lopes*.

“O homem que dirigiu tudo” teve o prazer de se encontrar com mais de mil carros, viajar para diversos lugares do mundo e ainda tem a esperança de passar mais tempo com a família. Pelas mãos dele, passaram desde um Fusca a um carro de Fórmula 1.

Crédito:Divulgação Paulo Campo Grande conta como é dirigir "todos os carros do mundo"
As duas décadas de jornalismo automotivo deram a Paulo Campo Grande a oportunidade de conduzir modelos que ainda nem chegaram às ruas, como também aqueles que todos queriam colocar as mãos. Editor da Quatro Rodas , teve o privilégio de fazer vários testes em nome da profissão.
"Neste livro, reuni algumas das histórias mais interessantes que colecionei. Como critério priorizei os carros que me deram maior prazer ao dirigir e ao escrever sobre eles. São modelos que me marcaram em razão do desempenho, do design, da tecnologia, do carisma das marcas e das condições em que foram testados”, diz Grande.
A publicação reúne momentos marcantes na carreira do editor da Quatro Rodas. Um deles tem como cenário uma visita à fábrica da Aston Martin, na Inglaterra, considerada como um ‘santuário’ para quem cultuava a marca. Com a mudança da companhia para outro local, o espaço ficou destinado a encontros de apreciadores, assistência técnica, entre outros serviços.
Neste espaço a produção de automóveis era artesanal e chamou a atenção pela antiguidade. O trabalho ali teria começado no século 18, com a fabricação de carruagens. Na sequência, passou a produzir carros e logo foi comprada pelo empresário da marca automotiva. “É uma história muito legal. Quando falo do Pagani Zonda, faço um perfil do construtor Horácio Pagani”, adianta.
Outro episódio que também consta da obra trata do Bugatti. “Era um carro que eu nunca havia dirigido, mas que achei que tinha que incluir no livro, não poderia ficar de fora. Aí, eu liguei para a fábrica, falei sobre o meu problema e eles me admitiram. Eu viajei para a França e andei no carro. Mas na hora de escrever, entendi que a história da família Bugatti era muito mais interessante”, diz.
O tataravô era construtor, o avô e o pai eram arquitetos, e o irmão escultor. “Uma família de talentos”, ressalta. Nas 248 páginas da publicação, essas e outras situações são contadas pelo jornalista, que faz, em 32 capítulos, comentários sobre 102 modelos dirigidos com a profissão.
Modelos que ficaram de fora
A seleção dos carros pilotados pelo jornalista teve que passar por uma série de critérios, como raridade, representatividade para a indústria, a história do modelo ou da marca, e a experiência que ele teve ao volante.
Crédito:Divulgação Livro traz experiências de editor da "Quatro Rodas"
Embora seja “o homem que dirigiu tudo”, Paulo Campo Grande ainda não conseguiu ter a chance de conduzir alguns ilustres volantes. Só que isso é resolvido logo na introdução na obra. Nela, o autor fala sobre os veículos que tiveram que ficar de fora por falta de tempo ou espaço. Não que tenha faltado iniciativa para tanto. Por algum motivo, explícito na obra, não conseguiu. “Nunca tentei, mas gostaria de ter a oportunidade”.
Os dois mais interessantes, em sua avaliação, são: o carro suíço Koenigsegg, e o inglês Morgan 3 Wheeler. “É um carrinho clássico, bem simples, mas parece uma baratinha. Ele tem três rodas, duas na frente e uma atrás; e a roda de tração é traseira. Uma só que traciona o carro. É muito divertido”.
Convite culminou no livro
“O homem que dirigiu tudo” é o primeiro livro produzido pela revista Quatro Rodas . Convidado para ser o precursor da iniciativa, Paulo Campo Grande estava em época de lançamento de uma iniciativa própria, chamada ‘Jornalismo Automotivo’, que traz dicas para aspirantes a profissão.
A ‘convocação’ foi feita em agosto. Como o acordo foi fechado na hora, ele teria apenas quatro meses para terminar a obra, uma vez que a ideia era lançá-la no Salão do Automóvel, em SP. “Eu perdi a conta de quanto tempo demorei para fazer o projeto pessoal, pois como não havia uma data, não foi uma encomenda, eu ia fazendo e refazendo e deixava dois ou três meses parados”.
“Eu falo que levaria quatro anos para fazer outro. E aí, quatro meses é pouco. Mas é legal você ter essa pressão para produzir. Eu fazia todos os dias de manhã, antes de sair de casa. Eu acordava um pouco mais cedo e fazia, também por não adiantar sair mais cedo e ficar no trânsito parado”.
Editor de testes da revista, entrava mais tarde da redação e tinha mais tempo para escrever a publicação, que tomava os seus sábados. “É ruim porque você deixa de fazer as atividades com a sua família, mas quatro meses foram suficientes para fazer um livro assim”, conta. O resultado do trabalho rendeu uma história interessante por trás de cada capítulo, que complementa cada um.
O objetivo era não fazer análises semelhantes às que foram publicadas na Quatro Rodas . “Para isso, bastava o leitor fazer a lista dele e chegar no acervo digital da revista e reler o review que fiz”.Com o carro como pano de fundo para cada capítulo, traz como diferencial o contexto, com as experiências da viagem, o lugar que visitou, as características da fábrica do veículo, entre outros.
Repercussão
O jornalista Paulo Campo Grande conta que tem se surpreendido com a repercussão da obra. No outro livro que lançou, ele fala que vendeu noventa unidades com autógrafos para 89 amigos, brincando que, na noite de lançamento, somente colegas de trabalho e conhecidos foram lhe prestigiar.
No Salão do Automóvel, no entanto, foi diferente. “Eu vendi 70 na noite de autógrafos, que teve pelo menos 50% dos livros comprados por leitores, por gente que não é do meu convívio, mas pessoas que me conhecem pela revista. Eles comentavam, tiravam fotos, foi muito interessante”.
“Para a gente, que escreve, fica meio sem saber como medir o efeito do que você produziu ali, é muito bom ouvir o cara dizendo que gostou, ou fazer algum pedido”, acrescenta.

Aberto a novos projetos e iniciativas, afirma ter algumas pautas na cabeça para serem produzidas mais para frente. A ideia ainda está em maturação e não deve fugir do automobilismo, onde circula com mais confiança e conhecimento. O momento agora, porém, é de tempo livre. “Eu preciso dar atenção à família”, conclui.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves