Em evento, jornalistas André Liohn e Lourival Sant'Anna relembram "Primavera Árabe"

Na manhã desta quinta-feira (22/11), a Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) realizou o seminário "Retratos da Primavera

Atualizado em 22/11/2012 às 15:11, por Jéssica Oliveira*.

Na manhã desta quinta-feira (22/11), a Fundação Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC) realizou o seminário "Retratos da Primavera Árabe" com o fotojornalista André Liohn e o repórter especial de O Estado de S. Paulo , Lourival Sant'Anna. Através de suas experiências em países como Tunísia, Egito e Líbia, os jornalistas debateram o assunto.


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Crédito:Jéssica Oliveira André Liohn e Lourival Sant'Anna debatem Primavera Árabe no iFHC


Liohn, experiente fotógrafo, começou na cobertura dos conflitos meio que por acaso. Trabalhando para a revista alemã Der Spiegel , o profissional cobria o leste da África quando recebeu uma ligação de um colega jornalista. "Vem para a Tunísia. Vai acontecer algo", lembra. Ele foi. Chegou um dia antes das manifestações começarem.


Em seguida, passou pelo Egito e pelo Bahrein, até chegar na Líbia. Sendo o único fotojornalista em Misrata, cidade onde o ex-ditador Muamar Kadafi dizia estar "tudo bem", viu de perto a morte de muitos civis. "Como fotógrafo, me aproximo bastante das pessoas que estou fotografando", diz. Para ele, seu trabalho é registrar o núcleo do que está acontecendo no local.


Sant'Anna começou no jornalismo em 1990, como redator de Internacional no Estadão . Em dez anos, já ocupava o cargo de editor-chefe do diário. Neste intervalo, ainda teve passagens pela Folha de S.Paulo e BBC. Desde 2001 é repórter especial do Estado .


Em entrevista à IMPRENSA, em setembro de 2012, o jornalista definiu o desafio de se manter seguro em um cenário de barbárie e produzir, sozinho, materiais de texto, foto, áudio e vídeo como "um mundo bastante caótico”.

Durante sua apresentação, ele relembrou detalhes de sua vivência como correspondente de guerra e mostrou alguns arquivos de sua cobertura. "Quando a bomba cai, todo mundo assusta, inclusive nós", afirma.


O último vídeo exibido deixou clara a intensidade e aproximação dos moradores. Sofrendo com o regime violento de Kadafi, homens, mulheres e crianças relataram sua situação. Com parentes mortos, presos e perseguidos, eles gritaram o desejo de ver o fim da guerra, as expectativas e, por fim, um recado. "Diga ao Brasil: não apoie o regime!", pediu um rapaz.


Da plateia

Uma moça egípcia explicou que acabara de voltar do Cairo há cerca de uma semana. Ela comentou um pouco o cenário no Egito. Entre outros assuntos, abordou a situação da mulher e da religiosidade e disse que Liohn e Sant'Anna fizeram um relato sincero do país.


Em seguida, Sant'Anna comentou o papel da mulher em dois países, na Líbia, onde houve uma guerra civil, e na Síria, onde ainda há. "Existem na Síria muitas casas clandestinas com homens e mulheres, médicas ou enfermeiras que cuidam dos feridos. Isso é muito importante", explica. "Por outro lado, na Líbia, a família escolhe as mulheres que vão para a guerra", diz.


Sobre a religiosidade, o jornalista afirmou que uma das piores coisas feitas na imprensa ocidental foi traduzir "Jihad" para "guerra santa". "É um conceito muito amplo", ressaltou. Sobre o que observou dos conflitos, ele disse que as pessoas que lutaram realmente tinham o esforço e a crença de Deus dentro de si e acreditavam no martírio.


Não há guerra no Brasil
Liohn encerrou sua fala com uma crítica ao uso do termo "guerra" para o que está acontecendo no Brasil, especialmente em São Paulo. Segundo ele, a comparação é desproporcional e perigosa.


* Com supervisão de Vanessa Gonçalves