Em entrevista, Soninha recorda isolamento político na ESPN e desejo de retornar à TV
Ao UOL Esporte, jornalista contou suas experiências como comentarista na ESPN
Atualizado em 09/02/2015 às 13:02, por
Redação Portal IMPRENSA.
Em ao UOL Esporte, publicada nesta segunda-feira (9/2), a jornalista e política brasileira Soninha Francine revelou seu desejo de retornar à TV após a derrota nas urnas nas eleições para deputada federal e falou sobre suas experiências como comentarista na ESPN.
Crédito:Divulgação Ex-comentarista revela preconceito contra ela por política na ESPN
Soninha disse ter sofrido preconceito e isolamento político no canal por trabalhar na campanha presidencial de José Serra em 2010. “Naquele momento eu era um ponto muito fora da curva tendo trabalhado na campanha do Serra. O pessoal da ESPN era muito Lula, vai? Então isso também não me dava muito ânimo de voltar. Um lugar onde a gente discute a política dentro do futebol, eu estava praticamente isolada ali”, recordou.
A jornalista começou a trabalhar na MTV de São Paulo como assistente de produção, passou para a diretoria e coordenação, e, mais tarde, como redatora dos textos para os VJ's. Em 1994, começou a trabalhar como apresentadora e permaneceu no canal por dez anos.
Segundo ela, a experiência contribuiu para que José Trajano, então diretor de jornalismo da ESPN, a convidasse para ser comentarista. "Ele dizia que lá futebol tinha contexto muito maior, política, literatura, cinema, sociedade, então tudo o que eu já tinha feito interessava", disse.
Na emissora, a jornalista dividia opiniões. "Alguns gostavam muito de mim da MTV e por isso gostavam de trabalhar comigo: ‘uau, aquela VJ é nossa, faz parte da equipe’. Outros me viam como uma intrusa, eram super pé atrás. Ficavam super atentos a escorregadas. E tinham os que não suportavam a minha presença".
Alguns colegas chegaram a criar situações para constrangê-la no ar. Soninha citou o dia em que cobriu um jogo entre Inter de Limeira e um time do interior, cujos jogadores eram pouco conhecidos. Em um momento de substituição, o narrador que a acompanhava questionou sobre a medida: "'Então Soninha Francine, conhecendo bem esses jogadores, o que você acha da substituição?'”. Sacaneando, entendeu? Para me deixar em saia-justa", relatou.
Para a apresentadora, o preconceito ocorria por uma série de motivos. Entre eles, o fato de ser mulher, ex-VJ da MTV, e não possuir carreira esportiva. "Já entrei na hora do almoço que é um horário nobre no esporte. Então teve uma desconfiança natural. Tinha uma resistência também que vai além do preconceito", pontuou.
A jornalista revelou ainda desafetos entre entrevistados e o dia em que Trajano a criticou ao vivo por seus comentários após a eliminação do Brasil nas Olimpíadas de Sydney, em 2000. "Vinha a água no olho, mas eu não podia chorar de jeito nenhum, aquele nó na garganta. E eu racionalizando na cabeça… ‘É assim Soninha, o Trajano é assim, normal. Não é nem só com você. Até com o Calçade que é um puta cara, super qualificado’. Era meu chefe ao vivo por 15 minutos me destruindo", contou.
Para Soninha, a política atrapalha o comentário de futebol, em especial, na ESPN, que, segundo ela, é um "lugar politizado". A apresentadora também mencionou o fato de o canal romper a independência entre espaço jornalístico e comercial.
"Quando eu vi que esse fervor na defesa do dinheiro público estava arrefecendo um pouco na análise dos preparativos para a Copa do Mundo, eu já comecei a ficar um pouco desapontada. E mais ainda quando a audiência na ESPN me identificava como inimiga porque eu continuava fazendo as mesmas críticas contundentes."
Agora, o desejo da jornalista é retornar à TV para produzir reportagens e falar sobre política. "Tenho ideias anotadas em milhões de caderninhos, projetos para apresentar. A maioria não é de esporte, mas também tem", acrescentou.
Outro lado
O vice-presidente de jornalismo e produção da ESPN, João Palomino, disse que a empresa sempre zelou pela liberdade de expressão e pelo respeito a todas opiniões. “A Soninha sempre foi uma companheira leal e apaixonada por futebol. Tem todo nosso respeito e carinho, como sempre. É uma batalhadora e tem grandes amigos aqui. Não entendemos o motivo que a levou a citar algo que é da percepção dela, não nossa", ponderou.
Crédito:Divulgação Ex-comentarista revela preconceito contra ela por política na ESPN
Soninha disse ter sofrido preconceito e isolamento político no canal por trabalhar na campanha presidencial de José Serra em 2010. “Naquele momento eu era um ponto muito fora da curva tendo trabalhado na campanha do Serra. O pessoal da ESPN era muito Lula, vai? Então isso também não me dava muito ânimo de voltar. Um lugar onde a gente discute a política dentro do futebol, eu estava praticamente isolada ali”, recordou.
A jornalista começou a trabalhar na MTV de São Paulo como assistente de produção, passou para a diretoria e coordenação, e, mais tarde, como redatora dos textos para os VJ's. Em 1994, começou a trabalhar como apresentadora e permaneceu no canal por dez anos.
Segundo ela, a experiência contribuiu para que José Trajano, então diretor de jornalismo da ESPN, a convidasse para ser comentarista. "Ele dizia que lá futebol tinha contexto muito maior, política, literatura, cinema, sociedade, então tudo o que eu já tinha feito interessava", disse.
Na emissora, a jornalista dividia opiniões. "Alguns gostavam muito de mim da MTV e por isso gostavam de trabalhar comigo: ‘uau, aquela VJ é nossa, faz parte da equipe’. Outros me viam como uma intrusa, eram super pé atrás. Ficavam super atentos a escorregadas. E tinham os que não suportavam a minha presença".
Alguns colegas chegaram a criar situações para constrangê-la no ar. Soninha citou o dia em que cobriu um jogo entre Inter de Limeira e um time do interior, cujos jogadores eram pouco conhecidos. Em um momento de substituição, o narrador que a acompanhava questionou sobre a medida: "'Então Soninha Francine, conhecendo bem esses jogadores, o que você acha da substituição?'”. Sacaneando, entendeu? Para me deixar em saia-justa", relatou.
Para a apresentadora, o preconceito ocorria por uma série de motivos. Entre eles, o fato de ser mulher, ex-VJ da MTV, e não possuir carreira esportiva. "Já entrei na hora do almoço que é um horário nobre no esporte. Então teve uma desconfiança natural. Tinha uma resistência também que vai além do preconceito", pontuou.
A jornalista revelou ainda desafetos entre entrevistados e o dia em que Trajano a criticou ao vivo por seus comentários após a eliminação do Brasil nas Olimpíadas de Sydney, em 2000. "Vinha a água no olho, mas eu não podia chorar de jeito nenhum, aquele nó na garganta. E eu racionalizando na cabeça… ‘É assim Soninha, o Trajano é assim, normal. Não é nem só com você. Até com o Calçade que é um puta cara, super qualificado’. Era meu chefe ao vivo por 15 minutos me destruindo", contou.
Para Soninha, a política atrapalha o comentário de futebol, em especial, na ESPN, que, segundo ela, é um "lugar politizado". A apresentadora também mencionou o fato de o canal romper a independência entre espaço jornalístico e comercial.
"Quando eu vi que esse fervor na defesa do dinheiro público estava arrefecendo um pouco na análise dos preparativos para a Copa do Mundo, eu já comecei a ficar um pouco desapontada. E mais ainda quando a audiência na ESPN me identificava como inimiga porque eu continuava fazendo as mesmas críticas contundentes."
Agora, o desejo da jornalista é retornar à TV para produzir reportagens e falar sobre política. "Tenho ideias anotadas em milhões de caderninhos, projetos para apresentar. A maioria não é de esporte, mas também tem", acrescentou.
Outro lado
O vice-presidente de jornalismo e produção da ESPN, João Palomino, disse que a empresa sempre zelou pela liberdade de expressão e pelo respeito a todas opiniões. “A Soninha sempre foi uma companheira leal e apaixonada por futebol. Tem todo nosso respeito e carinho, como sempre. É uma batalhadora e tem grandes amigos aqui. Não entendemos o motivo que a levou a citar algo que é da percepção dela, não nossa", ponderou.





