Em entrevista, Fernando Morais critica imprensa tradicional e defende democratização da mídia

Em entrevista, Fernando Morais critica imprensa tradicional e defende democratização da mídia

Atualizado em 29/09/2009 às 10:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Na última segunda-feira (28), o jornalista, escritor e político Fernando Morais externou sua posição crítica em relação ao Jornalismo contemporâneo. Em entrevista publicada no do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, Morais questionou a falta de exposição do alinhamento ideológico e político de jornais e revistas e disse que "felizmente" as publicações tradicionais estão "com os dias contados".

Divulgação
Fernando Morais
"Toda generalização é injusta - se você me pedir para apontar um ou outro que não esteja nesse meio, eu consigo. Agora, no geral, a imprensa e os veículos se transformaram em partidos políticos de direita, sem assumir isso. Porque se assumisse não tinha problema. Você cria uma referência. Essa é uma revista de esquerda, esse é o é o blog do Paulo Henrique Amorim que não gosta do Fernando Henrique Cardoso. Pronto, você já avisa ao leitor o que ele está lendo", disse Morais - endereçando a crítica ao jornal O Estado de S.Paulo e à revista Veja .

Na entrevista, o jornalista ainda defendeu a democratização dos meios de comunicação. Segundo ele, o avanço das chamadas "novas mídias" permitiu que a socialização do conteúdo jornalístico se tornasse uma garantia tecnológica, ao invés de conquista política.

"Hoje, todo mundo pode ser o seu próprio Roberto Marinho. Se você botar um notebook aqui na frente e ligar uma câmera de vídeo -custa baratinho -e falar o dia inteiro, se disser o que as pessoas querem ouvir, terá audiência, ganhará anúncio e terá recursos para sustentar e ampliar sua estrutura. Felizmente essas publicações (tradicionais) estão com os dias contados".

Morais nasceu em 1946 e é jornalista desde 1961. Trabalhou nas redações de veículos tradicionais, como Veja , Jornal da Tarde , Folha de S.Paulo e TV Cultura. Na área política, foi deputado por dois mandatos (por MDB-SP e pelo PMDB-SP), secretário da Cultura (1988-1991) e da Educação (1991-1993).

Como escritor, é autor de obras conhecidas do público, como "Olga" (1985), "Chatô, o Rei do Brasil" (1994) e "Na Toca dos Leões" (2005).

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