Em entrevista, diretor-geral da Rede Globo fala sobre concorrência e ibope

Em entrevista, diretor-geral da Rede Globo fala sobre concorrência e ibope

Atualizado em 27/08/2007 às 10:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo , o diretor-geral da Rede Globo, Octávio Florisbal, fala sobre o crescimento da concorrência e garante que as quedas de audiência e mudanças no mercado do setor não ameaçam a maior emissora de televisão do país.

Há 25 anos na Globo e há cinco no atual cargo, Florisbal conta que para manter a audiência é preciso participação na receita publicitária, o que é vital no mercado televisivo e garante ser impossível o desaparecimento da propaganda na TV. "Se todas as 4 mil agências que atendemos abandonarem os comerciais para fazer merchandising ou qualquer outra ação de conteúdo, não existirá grade de programação suficiente para abrigar toda essa demanda", afirma.

Sobre a perda de dois pontos percentuais de audiência, no horário entre 7 horas e meia-noite, o executivo explica que esse é um processo "cíclico" e que "já foi vivido no passado pela emissora" porque "depende do sucesso da programação em cartaz". Para Florisbal, a concorrência, especificamente da TV Record, ainda não incomoda o trabalho da Rede Globo.

Segundo ele, também não há ainda preocupação com a expansão de novas plataformas de comunicação, como a migração de telespectadores para a TV paga e o crescimento de usuários da internet. Para lidar com o aumento do espaço ocupado pelo mundo virtual, por exemplo, a emissora optou por fazer parcerias - no site YouTube estão disponíveis edições resumidas da novela "Malhação", voltada ao público jovem. "Do ponto de vista estratégico, achamos que nosso conteúdo deve ser estendido a outras plataformas de mídia eletrônica, para que o nosso público nos veja em outros momentos", completa.

A situação da perda de audiência televisiva no Brasil ainda é confortável, especialmente para a TV Globo. A emissora detém 70% das verbas de investimento publicitário no setor, apesar da vulnerabilidade trazida pelo crescimento da internet e a implantação da TV digital. Florisbal considera que a chegada da televisão digital não trará mudanças radicais porque seu processo de implantação se dará por etapas e só resultará em mudanças efetivas na forma de se assistir à televisão quando chegar a transmissões nas plataformas móveis, como celulares, ônibus, metrô e táxi, por exemplo. "A era digital é uma realidade, mas exige pesados investimentos", e completa: "Se tivermos mais audiência dentro e fora do lar, poderemos cobrar um adicional de publicidade".