Em editorial, "Financial Times" condena texto do Marco Civil da Internet brasileiro

Na última terça-feira (12/11), o jornal norte-americano Financial Times usou um de seus editoriais para criticar o projeto de lei que regulamenta a internet no Brasil, também conhecido como Marco Civil da Internet.

Atualizado em 13/11/2013 às 09:11, por Redação Portal IMPRENSA.

jornal britânico Financial Times usou um de seus editoriais para criticar o projeto de lei que regulamenta a internet no Brasil, também conhecido como Marco Civil da Internet. Ainda em discussão na Câmara, a proposta dá ao governo o poder de determinar que empresas, como Google e Facebook, armazenem dados de brasileiros dentro do país.
Crédito:Reprodução Jornal alega que espionagem americana desencadeou protecionismo do Brasil com dados na web
Segundo a Folha de S.Paulo , o texto intitulado "O Brasil está indo longe demais quanto à segurança na Internet", também reconhece, no entanto, que a previsão é uma consequência da "bisbilhotice dos espiões norte-americanos" e que "os EUA só podem culpar a si mesmos" por desencadear essa reação da presidente Dilma Rousseff.
“O país que pode influenciar mais que qualquer outro a maneira pela qual essa controvérsia se desenrolará é o Brasil”, diz o jornal britânico. “A presidente Dilma Rousseff expressou fúria diante das revelações de espionagem norte-americana. Consequentemente, o governo reagiu com um conjunto extenso de medidas que visam proteger os brasileiros contra o que as autoridades do país veem como uma máquina descontrolada de vigilância operada pelos Estados Unidos.”
De acordo com a publicação, o Brasil divulgou “planos ambiciosos” para desenvolver uma tecnologia própria para redes. Para o Financial Times , uma lei que pode requerer que todas as informações online sobre brasileiros sejam armazenadas fisicamente no Brasil teria “grandes implicações”.
“Isso inevitavelmente levaria essas companhias a ponderar se não seria melhor restringir suas operações no Brasil. O que prejudicaria a competitividade brasileira e o setor de tecnologia do país”, avalia o texto. “Se o Brasil, cuja população forma o segundo maior grupo mundial de usuários do Facebook, se tornar porta-estandarte do protecionismo de Internet, outras nações seguirão seu exemplo.”
O jornal conclui que “a missão brasileira de proteger a privacidade de seus cidadãos por meio de extensos firewalls é um equívoco”. A publicação defende que o país sofreria economicamente. “E faz mal à Web mundial, que corre o risco de ingressar em uma era de fragmentação e regulamentação. Rousseff precisa reconsiderar”, finaliza o editorial.