Em carta à direção, jornalistas do UOL criticam exclusão de PJ's da festa de fim de ano

Na última quarta-feira (3/12), 69 jornalistas do UOL enviaram uma carta à diretoria de Conteúdo para lamentar e criticar a decisão da empresa de excluir os prestadores de serviço (PJ’s) da festa de confraternização de fim de ano.

Atualizado em 06/12/2014 às 15:12, por Jéssica Oliveira.

jornalistas do UOL enviaram uma carta à diretoria de Conteúdo para lamentar e criticar a decisão da empresa de excluir os prestadores de serviço (PJ’s) da festa de confraternização de fim de ano. O texto foi assinado por CLT's e PJ's, entre repórteres, redatores e editores-assistentes. Crédito:Reprodução Carta foi assinada por 69 profissionais, entre CLT's e PJ's "É lamentável que nossos colegas prestadores, que trabalharam conosco o ano todo não possam gozar da confraternização de fim de ano como o restante da empresa. Ao longo de 2014, eles atuaram sob a mesma cobrança e responsabilidade, mas sem benefícios como vale-alimentação, vale-transporte, 13º salário, seguro-saúde ou recolhimento de FGTS", diz o texto.

Para os profissionais, os PJ's não podem estar submetidos as mesmas condições de trabalho (rotina, cobranças e regras) se a empresa não os trata da mesma forma que os CLT's. O texto diz ainda que o episódio da festa é "a ponta do iceberg de um conjunto de condições de trabalho cada vez piores" e denuncia a "precarização do ambiente de trabalho".

"Ao contrário de outras empresas do meio e até de outros departamentos da nossa própria empresa, os jornalistas do UOL (sejam eles CLT ou PJ) não ganham hora extra ou adicional noturno", afirmam.

Gota d'água
À IMPRENSA, um profissional, que pediu para não ser identificado, contou que os jornalistas souberam da exclusão dos PJ's por meio de mensagem do RH, ressaltando que o convite era apenas para "funcionários efetivos". "Fomos confirmar e de fato eles foram excluídos", conta.

Segundo ele, que assinou o texto e está acompanhando as discussões, depois desses 69 profissionais mais pessoas aderiram ao movimento. "A carta foi escrita a diversas mãos", afirma.

Uma profissional, que também preferiu não se identificar, confirmou que apesar do regime de trabalho ser diferente os PJ's trabalham da mesma forma que os CLT's, sob as mesmas obrigações, horários, funções, e até escala de plantão, dependendo da editoria, porém sem os mesmos benefícios. Além disso, muitos ficam nessa situação durante anos.

Por isso, ela acredita que a exclusão desses profissionais da festa de fim de ano somado ao fato deles não terem recebido a tradicional cesta de Natal foi "a gota d'água". "Surgiu um descontentamento de forma espontânea que foi abarcando todas as editorias. Foi se chegando a um consenso que CLT's e PJ's tinham que mostrar à direção esse descontentamento e algumas coisas que poderiam ser melhoradas", explica.
Segundo os profissionais, o portal tomou ciência do conteúdo da carta e chegou a procurá-los para tratar da questão, mas ainda não foram tomadas ações concretas . A reação que receberam até o momento foi basicamente de colegas de outros veículos pela internet, que apoiaram e espalharam a carta.
Os profissionais que assinaram a carta organizaram uma festa própria no mesmo dia da confraternização do portal, marcada para a próxima quarta-feira (10/12). Procurados pela reportagem, o diretor de Conteúdo do UOL, Rodrigo Flores, e o presidente do SJSP, José Augusto Camargo (Guto), não foram encontrados para comentar o assunto.

A carta pode ser lida Confira a íntegra abaixo:

À direção de Conteúdo, Caros, Manifestamos por meio desta o nosso descontentamento com a política praticada na festa de confraternização de fim de ano, da qual os prestadores de serviço (PJ’s) não serão convidados a participar, ao contrário do que ocorreu em anos anteriores.

Não nos está claro se a exclusão dos PJ’s está relacionada a um corte de custos, à fiscalização trabalhista ou a ambos. Independentemente da razão, no entanto, é lamentável que nossos colegas prestadores, que trabalharam conosco o ano todo não possam gozar da confraternização de fim de ano como o restante da empresa. Ao longo de 2014, eles atuaram sob a mesma cobrança e responsabilidade, mas sem benefícios como vale-alimentação, vale-transporte, 13º salário, seguro-saúde ou recolhimento de FGTS.

No jornalismo, infelizmente, eles não são simples prestadores de serviço, e sim frutos da precarização do trabalho que caracteriza a categoria.

A festa é simbólica. Assim como ela é um momento de descontração após um ano cheio de grandes eventos, metas, compromissos e dedicação, também representa a ponta do iceberg de um conjunto de condições de trabalho cada vez piores.

O ano de 2014 foi especialmente difícil para todos nós. As redações sofreram demissões, as equipes se enxugaram e o segundo semestre foi de trabalho redobrado. Para quem esteve envolvido nas duas grandes coberturas do ano, a Copa do Mundo e as Eleições, a carga foi ainda maior.

Para quem é PJ, por exemplo, houve a precarização do ambiente de trabalho; com muitos funcionários tendo de trabalhar de suas casas, com pouco espaço nas redações.

Tudo isso sem contar as condições questionáveis às quais já somos submetidos tradicionalmente. Ao contrário de outras empresas do meio e até de outros departamentos da nossa própria empresa, os jornalistas do UOL (sejam eles CLT ou PJ) não ganham hora extra ou adicional noturno.

Diante de tudo isso, decidimos repudiar a política adotada na festa de confraternização, que apenas expõe o tratamento desigual dado pela direção da empresa a empregados que desempenham as mesmas funções e têm as mesmas responsabilidades. Todos são trabalhadores, independentemente do regime sob o qual estão contratados. Com a segregação, a própria ideia de uma festa de confraternização perde sentido, diante da precarização do trabalho promovida.

A direção do UOL precisa estar atenta ao fato de que suas decisões estão aumentando a nossa insatisfação em relação a nossas condições de trabalho.

Nos colocamos à disposição dos diretores que queiram debater e discutir soluções. Att,