Em campanha contra censura cibernética, RSF libera dez sites inacessíveis em 11 países
A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) desbloqueou dez meios de comunicação digitais bloqueados pelas autoridades em 11 países como Cuba, China e Rússia, em comemoração ao dia internacional contra a censura cibernética, celebrado em 12 de março.
Atualizado em 10/05/2015 às 15:05, por
Alana Rodrigues*.
( ) desbloqueou dez meios de comunicação digitais bloqueados pelas autoridades em 11 países como Cuba, China e Rússia, em comemoração ao dia internacional contra a censura cibernética, celebrado em 12 de março.
Por meio de um sistema de réplica dos endereços de internet, a entidade conseguiu que as páginas, consideradas como "inimigas da internet", tornassem acessíveis aos internautas. Intitulada "Liberdade Colateral", a campanha liberou portais no Irã, Vietnã, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
Crédito:Reprodução Campanha libera acesso de sites bloqueados em 11 países
Os cubanos, por exemplo, passaram a ter acesso à página da agência independente "Hablemos Press", fundada em 2009 e que graças seus 30 correspondentes em 15 províncias do país pôde denunciar as violações dos direitos humanos cometidos pelo regime, o que provocou sua censura em 2011.
O portal está baseado no exterior e seus jornalistas exercem seu trabalho com permanentes confiscos de material e telefones grampeados. O Departamento de Segurança Interior de Cuba havia solicitado que mudassem de linha editorial e, como não aceitaram, recebem permanentes ameaças e intimidação.
À IMPRENSA, o fundador e diretor da Hablemos Press, Roberto de Jesús Guerra Pérez, relatou que a campanha representou uma das grandes conquistas da ilha. "Foi um duro golpe para os censores da liberdade de expressão em Cuba, que bloquearam o nosso site e passaram a fazer campanhas de difamação, na tentativa de prender nossa equipe, e repreender nossa família e amigos, além de bloquear a imprensa no país", disse.
Segundo Pérez, no dia em que o portal foi desbloqueado, o site ganhou seis novas visualizações e manteve, nos dias seguintes, uma média de três mil acessos. Agora, a página recebe cerca de mil novas visitas todos os dias.
O jornalista conta que a liberdade de imprensa no país não é reconhecida pelo governo. Ele menciona a dificuldade do trabalho da imprensa em meio à aplicação da lei especial 88, a chamada “Lei da Mordaça”, junto a uma série de condenações apenas pelo fato de informar.
“Não nos é permitido distribuir jornais ou boletins sobre as ruas de forma legal. Todas as manifestações de abertura para a liberdade são suprimidas. No entanto, graças aos esforços que fazemos todos os dias, apesar da repressão, a liberdade de imprensa alcançou outra posição, porque criamos meios de comunicação alternativos”, acrescenta.
Outras aberturas
Na China, os sites "Mingjing news", referência do exílio chinês, e do tibetano "Tibete Post", defensor da independência da região, também ficaram acessíveis. O "Grani.ru" foi primeira vítima da nova lei de meios da Rússia, ano passado, após sua cobertura da crise ucraniana, será desbloqueado.
A agência de imprensa em russo Ferghana reaparecerá nas telas de cazaques, uzbeques e turcomanos, cujos governos o mantêm censurado pela independência de suas informações. Inacessível no Vietnã desde 2009, a RSF desbloqueou o Dan Lam Bao, no qual os internautas do país compartilham opiniões.
A campanha também chegou ao mundo árabe, outra das regiões onde os governos são mais restritivos com a liberdade de expressão na internet. Os iranianos, por exemplo, poderão acessar pela primeira vez desde o ano 2000 o site Gooya News, que divulga notícias da oposição e do regime e proibido no interior do país pelas autoridades.
Em comunicado oficial, a RSF destacou que criará "espelhos" hospedados em grandes servidores, como Amazon, Google e Microsoft, cujo bloqueio por parte das autoridades provocaria graves prejuízos econômicos às empresas, que não poderiam acessar o serviço.
Especial Liberdade de Imprensa
IMPRENSA preparou um site especial, com conteúdo exclusivo sobre questões de liberdade de imprensa e expressão. Para acessar, clique .
* Com supervisão de Thaís Naldoni
Por meio de um sistema de réplica dos endereços de internet, a entidade conseguiu que as páginas, consideradas como "inimigas da internet", tornassem acessíveis aos internautas. Intitulada "Liberdade Colateral", a campanha liberou portais no Irã, Vietnã, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
Crédito:Reprodução Campanha libera acesso de sites bloqueados em 11 países
Os cubanos, por exemplo, passaram a ter acesso à página da agência independente "Hablemos Press", fundada em 2009 e que graças seus 30 correspondentes em 15 províncias do país pôde denunciar as violações dos direitos humanos cometidos pelo regime, o que provocou sua censura em 2011.
O portal está baseado no exterior e seus jornalistas exercem seu trabalho com permanentes confiscos de material e telefones grampeados. O Departamento de Segurança Interior de Cuba havia solicitado que mudassem de linha editorial e, como não aceitaram, recebem permanentes ameaças e intimidação.
À IMPRENSA, o fundador e diretor da Hablemos Press, Roberto de Jesús Guerra Pérez, relatou que a campanha representou uma das grandes conquistas da ilha. "Foi um duro golpe para os censores da liberdade de expressão em Cuba, que bloquearam o nosso site e passaram a fazer campanhas de difamação, na tentativa de prender nossa equipe, e repreender nossa família e amigos, além de bloquear a imprensa no país", disse.
Segundo Pérez, no dia em que o portal foi desbloqueado, o site ganhou seis novas visualizações e manteve, nos dias seguintes, uma média de três mil acessos. Agora, a página recebe cerca de mil novas visitas todos os dias.
O jornalista conta que a liberdade de imprensa no país não é reconhecida pelo governo. Ele menciona a dificuldade do trabalho da imprensa em meio à aplicação da lei especial 88, a chamada “Lei da Mordaça”, junto a uma série de condenações apenas pelo fato de informar.
“Não nos é permitido distribuir jornais ou boletins sobre as ruas de forma legal. Todas as manifestações de abertura para a liberdade são suprimidas. No entanto, graças aos esforços que fazemos todos os dias, apesar da repressão, a liberdade de imprensa alcançou outra posição, porque criamos meios de comunicação alternativos”, acrescenta.
Outras aberturas
Na China, os sites "Mingjing news", referência do exílio chinês, e do tibetano "Tibete Post", defensor da independência da região, também ficaram acessíveis. O "Grani.ru" foi primeira vítima da nova lei de meios da Rússia, ano passado, após sua cobertura da crise ucraniana, será desbloqueado.
A agência de imprensa em russo Ferghana reaparecerá nas telas de cazaques, uzbeques e turcomanos, cujos governos o mantêm censurado pela independência de suas informações. Inacessível no Vietnã desde 2009, a RSF desbloqueou o Dan Lam Bao, no qual os internautas do país compartilham opiniões.
A campanha também chegou ao mundo árabe, outra das regiões onde os governos são mais restritivos com a liberdade de expressão na internet. Os iranianos, por exemplo, poderão acessar pela primeira vez desde o ano 2000 o site Gooya News, que divulga notícias da oposição e do regime e proibido no interior do país pelas autoridades.
Em comunicado oficial, a RSF destacou que criará "espelhos" hospedados em grandes servidores, como Amazon, Google e Microsoft, cujo bloqueio por parte das autoridades provocaria graves prejuízos econômicos às empresas, que não poderiam acessar o serviço.
Especial Liberdade de Imprensa
IMPRENSA preparou um site especial, com conteúdo exclusivo sobre questões de liberdade de imprensa e expressão. Para acessar, clique .
* Com supervisão de Thaís Naldoni





