Em busca de sonhos, jornalistas da "geração Z" não querem desistir da profissão "em crise"
IMPRENSA perguntou a jornalistas nascidos em diferentes gerações como era o jornalismo quando começaram, como avaliam a profissão hoje e como a imaginam futuramente.
Atualizado em 29/08/2014 às 11:08, por
Jéssica Oliveira.
Os jornalistas ouvidos são ; ; ; ; Bruno Rodrigues e Gustavo Torniero, da "Z" de 1990 a 1999).
Bruno Rodrigues: “Estou no comecinho. Pude ver coisas legais, coisas não tão legais. Ainda tenho muito a percorrer. É a carreira que eu quero mesmo”
Nascido em 1992, Bruno Rodrigues acabou de completar 22 anos e já deu alguns passos no sonho de ser jornalista esportivo. Recém-formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ele foi estagiário do jornal Lance! por dois anos: no primeiro mês cobrindo futebol do interior e depois como setorista do São Paulo.
Mas com o fim da faculdade veio o fim do estágio. Formado e sem emprego fixo, ele virou freelancer do site Impedimento e atualmente colabora com o iG.
Se por um lado os dois anos finais da graduação e o primeiro com o diploma na mão trouxeram algumas experiências boas, por outro mostrou o que de pior o jornalismo tem vivido: vários passaralhos (demissões em massa) que prejudicaram os demitidos e os que permanecem empregados e acumularam mais trabalho; condições precárias de trabalho; publicações fechando; além de profissionais sendo ofendidos, agredidos e mortos Brasil afora.
Diante de tudo isso, não é de se estranhar que colegas de profissão e professores aconselhem estudantes e recém-formados a desistir do jornalismo, mudar de área, fazer outra faculdade ou qualquer coisa. Rodrigues acredita que a situação do mercado está longe do ideal, mas diz que é muito cedo para largar o sonho. “A gente [nossa geração] tem que saber enfrentar. Se você tem um objetivo, não é no primeiro tropeço que vai desistir”, diz.
Gustavo Torniero: “Acredito que antes de jornalista, sou um profissional da comunicação. Tenho que saber lidar com as pessoas, saber contar histórias e humanizá-las” Crédito:Arquivo pessoal O estudante de jornalismo Gustavo Torniero acredita que o futuro do jornalismo precisa de pessoas com a mente aberta Além das dificuldades do mercado que Rodrigues já conhece e enfrenta, o jovem Gustavo Torniero, de 18 anos, tem mais um obstáculo para vencer. “Eu sou cego. Ainda não fui procurar emprego, mas sei que quando isso acontecer eu vou ser rejeitado por muitas empresas”.
Nascido em 1995, Torniero é estudante do primeiro ano de jornalismo na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Recentemente, o jovem fez uma reportagem sobre o mercado de trabalho para deficientes e observou que ele ainda é muito restrito. “Mas eu não vou desistir. Tenho certeza que vou encontrar meu espaço e que vão reconhecer minha capacidade”.
Mesmo no início do curso e sem contato com o mercado de trabalho, ele já ouviu diversas vezes que "a profissão está em risco e em crise". No entanto, ele acredita que o que está em risco é o atual modelo de negócio, pois muitas empresas ainda não aprenderam a lidar com a internet e a tratam por vezes como inimiga em vez de aliada da comunicação. “Tudo se modifica com o decorrer dos anos e temos que estar preparados para mudanças e novidades”, explica.
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Curtindo sua graduação e tudo que está aprendendo o estudante acredita que a profissão vive um momento histórico por causa da internet e das novas tecnologias que transformaram a forma de produzir e distribuir conteúdo e a única certeza é que o jornalismo vai se modificar. "Vamos precisar de pessoas que tenham uma mente aberta, sejam criativas e ousadas o suficiente para testar novas formas de produzir e distribuir conteúdo".
Enquanto o futuro não chega, ele imagina que lá na frente as tecnologias vão continuar ditando as tendências. Por isso defende que os profissionais da área devem pensar em como transformar esse cenário num aliado do jornalismo. “Desejo que a profissão sempre se renove, que os jornalistas se aprimorem e busquem cada vez mais conhecimento”.
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