Em busca da liberdade: a luta dos idealizadores pela emancipação do triângulo mineiro

Em busca da liberdade: a luta dos idealizadores pela emancipação do triângulo mineiro

Atualizado em 28/09/2005 às 14:09, por Fernanda Castilho e  aluna do 6º período de Jornalismo.

A idéia da emancipação do triangulo mineiro é antiga, começou em 1835 e permanece até hoje. O triângulo mineiro pertencia inicialmente a província de São Paulo juntamente com Minas Gerais, Paraná, Mato Grosso e Goiás.

Em 1720, Minas Gerais se emancipou mas o triângulo, Goiás e Paraná continuaram pertencendo a província de São Paulo. Já em 1748, Goiás também se emancipou e levou consigo o triângulo. Mas só em 1816, Dom João VI, a pedido de um grupo de fazendeiros, líderes políticos e comerciantes de Araxá desanexou o triângulo de Goiás e o anexou a Minas Gerais. Eles alegavam que Ouro Preto, capital era bem mais próxima do triângulo do que de Goiás e eles tinham razão.

A idéia da emancipação do triângulo foi idealizada por Fortunato Botelho, um fazendeiro e líder político de Araxá, em 1835. Por volta de 1857, o povo do município do Prata dava início a outra campanha pela separação do triângulo e vinte anos depois o jornalista e médico francês Henrique Raimundo de Genettes voltou a falar sobre isso na cidade de Uberaba. Foi nessa época que o nome dessa região que era Sertão da Farinha Podre mudou de nome e passou a se chamar triângulo mineiro. Mas a tentativa de Genettes não deu certo porque sua esposa pouco depois disso faleceu e ele largou tudo e se mudou para Goiás onde virou padre.

Em 1906 Delbrando Fontes, jornalista, escritor e historiador, renasce a campanha em Uberaba e Araguari, onde se formou um partido separatista. Treze anos depois, em 1919 o médico e escritor Boulanger Pucci fundou o jornal A Separação e reacendeu o movimento. O jornal durou dois anos e depois a tentativa da emancipação esfriou novamente.

Na década de 40 o movimento ressurgiu com o jornalista Ari de Oliveira que lançou um livro azul do triângulo mineiro que tinha um levantamento total de tudo que tinha nessa região. A campanha tomou força na década de 50 quando Mário Palmério, deputado federal levou o assunto para a câmara onde fez um discurso e publicou uma matéria nos jornais da câmara um trabalho feito por seu irmão Péricles Renato Palmério sobre a emancipação. Mas a campanha se esmoreceu em 1956 com a eleição de Juscelino Kubitschek para presidente da república.

No fim da década de 60 a Associação Comercial de Uberaba e Uberlândia relançaram um novo movimento. Desta vez, um movimento super organizado, com publicações e reuniões em congressos lideradas pelo prefeito de Uberaba Hugo Rodrigues da Cunha e pelo político Ronan Tito em Uberlândia. Segundo o advogado e escritor Guido Bilharinho o Hugo tinha uma noção muito boa do triangulo mineiro, que é uma região realmente singular, não uma região mineira. O motivo principal da emancipação era o problema com os impostos. O movimento se esvaiu mais uma vez, só que serviu para congregar as pessoas mas interessadas.

Em 1987 o deputado Chico Humberto fez sua campanha que tinha como slogan "Minas no Congresso". Esse movimento foi liderado por ele e por Ney Junqueira em Uberaba. Foi um movimento que tinha um projeto que dividia o triangulo em nove sub-regiões, mas não deu certo, porque foi impedido pelo governador de Minas, Newton Cardoso.

Segundo Guido para fazer uma campanha dessa em primeiro lugar tem que ter idealismo, uma coisa que falta para os deputados da nossa região. A principal razão para a emancipação é que o triângulo tem uma singularidade própria, uma história própria, não é uma região mineira, nem comercial, nem geográfica e nem psicologicamente. "Nós somos um estado só, não oficialmente, mas vamos ser".

Hoje existe um projeto, bem organizado onde Nova Ponte seria a capital do estado por ser uma cidade pequena, onde tem um rio que imita Brasília e por ficar bem no centro do triangulo.Uberaba e Uberlândia seriam as cidades mais importantes, mais desenvolvidas do estado, mas segundo Guido, a emancipação do triângulo hoje é tão difícil quanto a emancipação do Brasil, porque os interesses dominantes não abrem mão e eles usam de todas as armas para não deixar isso acontecer.