Em artigo, Traumann diz que Dilma depende do sucesso do "burocrata" Joaquim Levy
Em artigo publicado nesta quinta-feira (24/9), o jornalista e ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social de Presidência da República (Secom), n, abordou a relação entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Atualizado em 24/09/2015 às 12:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Agência Brasil Para ex-ministro da Secom, permanência de Dilma na presidência depende do sucesso da gestão de Joaquim Levy
"Dilma e Levy formam uma dupla inesperada. Um reconhece no outro as melhores intenções, mas discordam em todo o resto", destaca ao acrescentar que, desde novembro, quando o político assumiu a pasta, o governo opera na "errática relação entre a presidente detentora de 54,5 milhões de votos e o ministro fiel depositário da confiança do mercado financeiro".
Traumann conta que a presidente sempre recorda de seus tempos de ministra da Casa Civil, em 2005, sempre destacando a palavra "burocrata" quando se referia ao então secretário do Tesouro do Ministério da Fazenda. "R$ 500 milhões! Veja só, isso hoje é o que investimos em saneamento numa só cidade e era o que o FMI autorizava a gente a destinar para o Brasil inteiro. Hoje não tem FMI para dizer onde a gente pode ou não pode investir", dizia em seu discurso.
O jornalista afirma que, praticamente dez anos mais tarde, quando convidou Levy para o Ministério da Fazenda em meio a uma crise de credibilidade, Dilma sabia quem chamava para a equipe. "Levy sempre seria um estranho no ninho, uma concessão, um burocrata, o Joaquim Mãos de Tesoura, capaz de compreender de Orçamento, mas não da urgência de investimentos em saneamento", opina.
Para ele, o governo Lula pode ser descrito como antes e depois de Palocci e o primeiro mandato da presidente não poderia ser relatado sem que seja mencionada sua intervenção nas atividades de Guido Mantega. Diz ainda que a "sístole e diástole" da dinâmica de Dilma e Levy que esclarece a transformação de um Orçamento deficitário em agosto em um pacote que promete cortar R$26 bilhões em despesas correntes em setembro, momento em que vazamentos à imprensa mostram insatisfações das duas partes.
Thomas Traumann diz que os males que dão força à ameaça de impeachment são conhecidos."São os índices de desemprego, inflação e queda no consumo que podem derrubar o governo, que podem levar milhões às ruas, gerar pânico no mercado financeiro e esfarinhar de vez a base governista. Por ironia do destino, Dilma depende do sucesso do burocrata para chegar presidente a 2018", completa.





