Em artigo na "Folha", jornalista critica ações do poder público contra a imprensa

Em artigo publicado na seção "Tendências e Debates", da Folha de S.Paulo, o jornalista e fundador do site Opera Mundi, BrenoAltman, criticou as recentes ações do que chamou de "novo bloco de poder" contra a imprensa.

Atualizado em 13/06/2016 às 15:06, por Redação Portal IMPRENSA.

e Debates", da Folha de S.Paulo , o jornalista e fundador do site Opera Mundi, Breno Altman, criticou as recentes ações do que chamou de "novo bloco de poder" contra a imprensa.
Crédito:Reprodução/Facebook Jornalista critica governo provisório por ataques à imprensa
No início do texto intitulado "Golpe contra a liberdade de imprensa", Altman fala sobre o cancelamento de verbas publicitárias para sites e blogs considerados simpáticos ao Partido dos Trabalhadores (PT) e da demissão "ilegal" do presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Ricardo Melo.
O jornalista lembrou ainda do caso de Marcelo Auler, alvo de ações judiciais movidas por magistrados paranaenses para que excluísse de seu blog textos que criticavam a Operação Lava Jato, e do jornal Gazeta do Povo , processado por denunciar os supersalários de juízes e promotores.
"Poucas são as vozes, contudo, a se erguerem contra tais arbitrariedades, com o vigor necessário, para barrar tamanho retrocesso em nossa esfarrapada democracia", pondera. Para Altman, as "correntes conservadoras" tacham os partidos de esquerda como inimigos da liberdade de imprensa e afastam o pouco da pluralidade conquistada no país. "A administração provisória se refastela com a possibilidade de esmagar qualquer dissidência jornalística que conteste sua legalidade ou defenda o retorno da presidente afastada, sob aplausos das facções mais sórdidas do reacionarismo", opina.
Segundo ele, no ano passado, o segmento de veículos progressistas recebeu menos de 1% do orçamento publicitário da União e das estatais, faturando menos de R$ 15 milhões sobre um total de R$ 1,87 bilhões.
O jornalista também criticou o regime de oligopólio da comunicação, com famílias que controlam 80% dos meios impressos, eletrônicos e audiovisuais, além da preservação de laços com grandes anunciantes privados e agências de publicidade, alinhados a interesses comerciais e ideológicos, que inviabilizam o desenvolvimento de uma imprensa independente.
"Ao tentar amordaçar financeiramente a comunicação divergente, o senhor Michel Temer acaba por expor as entranhas mais pútridas do processo que até agora comanda", completa.