Em artigo, Luís Nassif comenta a perda de credibilidade da imprensa nacional
Em artigo, Luís Nassif comenta a perda de credibilidade da imprensa nacional
Em artigo publicado na noite da última segunda-feira (06), em seu , o jornalista e comentarista econômico Luis Nassif fala dos impactos da gradual perda de credibilidade da imprensa nacional e conta a trajetória da mídia em busca da conciliação de aspectos ideológicos, comerciais e, o inevitável, a notícia em si, já que, segundo afirma Nassif, "há uma lição que nenhum veículo pode ignorar: não se pode brigar com os fatos".
Ao resumir a trajetória da mídia nacional em alguns espisódios específicos, Luís Nassif conta que, nos anos 80, a "falta de sensibilidade" estigmatizou alguns órgãos de imprensa, principalmente a Rede Globo, acusada de não apoiar as diretas e, depois, de parcialidade na campanha de Fernando Collor "(embora confesso não ter visto manipulação na edição do último debate entre Lula e Collor)", completa.
Nos anos 90, no entanto, tomou-se um grande cuidado para a recuperação da credibilidade da mídia. "Mesmo com os exageros de cobertura em episódios traumáticos, mesmo com diversas ondas de denúncia contra o governo FHC, os jornais chegaram a 2002 com a imagem relativamente preservada. Havia mau jornalismo, os críticos reconheciam, mas não havia alinhamento ideológico ou político com ninguém", conta o jornalista.
Apesar de uma fase de credibilidade preservada, Nassif acredita que, agora, a imagem da imprensa está comprometida novamente graças à cobertura de dois capítulos da história nacional, "em que a soma de erros coletivos por parte da mídia atingiu proporções inéditas".
O primeiro deles, as últimas eleições. "Perdeu-se o senso de reportagem e se passou a apelar incondicionalmente para dossiês, alguns sem pé nem cabeça - como foi o caso da Veja com os já clássicos "dólares de Cuba" e as "contas do governo no exterior". Denúncias relevantes não foram apuradas; e os jornais apostaram em um estado de espírito do leitor para abdicar completamente do rigor e da técnica jornalística. O resultado das eleições mostrou que as denúncias não chegaram à maioria dos eleitores", argumenta.
Ainda segundo o artigo, o segundo episódio foi a cobertura do acidente com o Airbus da TAM. "Não há registro na história recente da imprensa brasileira de sucessão tão grande de "barrigas". É como se as diversas redações estivessem nas mãos de "focas", tal a relação de impropriedades cometidas, de erros de julgamento, de retificações sem pedidos de desculpa. O que explica essa falta coletiva de limites?"
"O pior subproduto dessa imprudência não é nem a radicalização que começa a tomar conta do país e preocupa: é o enfraquecimento da mídia. Se fosse apenas uma questão financeira, problema dos administradores de cada órgão. Acontece que - embora o controlador da Editora Abril, Roberto Civita, pareça não saber - o jornalismo de opinião é elemento fundamental em uma democracia. Dos poderes, é o que tem mais agilidade para pressionar por reformas, por acertos, para impedir abusos, para colocar limites aos demais poderes". E completa: "Se quisesse, a mídia poderia produzir diariamente críticas fundamentadas contra o governo Lula. Com a banalização das denúncias, com o enfraquecimento da reportagem, em favor do "aquário", perdeu-se esse referencial".
Nassif termina o seu texto, lamentando: "A mídia perdeu muito. Mas o país também".
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Foto : Agência Sebrae






